quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Arménio Miguéns preside à Misericórdia de Amieira

A Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo, elegeu no passado dia 1 de Dezembro, em Assembleia Geral convocada para o efeito, os corpos gerentes para administrar a instituição durante o triénio de 2008/2010.
Ao acto eleitoral concorreu uma lista, tendo os corpos gerentes ficado constituídos da seguinte forma:
Direcção / Mesa Administrativa
Arménio Pestana Semedo Miguéns, provedor; Luís Fernandes Bernardo, vice-provedor; Fernando Metelo Falcão, tesoureiro; Nelson Luís Assis Lino, secretário; Vítor Manuel Martins Pereia, vogal; Vasco Jorge Semedo da Silva e Joaquim Sena de Almeida, suplentes.
Assembleia Geral
António Manuel Farinha de Sena, presidente; José Manuel da Costa Alves,1º secretário; Jorge Manuel Pires da Rosa; 2º secretário.
Conselho Fiscal
Rui Metelo Marques, presidente; João Sena Paixão e António Eugénio Calado, vogais; Aníbal Neto Marchão e José Pereira Lopes, suplentes.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Lar em Amieira: um sonho de muitos anos

Agora que parece irreversível a construção do Lar de Acolhimento, pois já foi lançado concurso público para a adjudicação da obra, importa realçar aqui o papel do Sr. Provedor e seus pares, pois muitos passos têm sido dados para que tal seja uma realidade.
A obra, muito irá contribuir para que os nossos idosos possam passar os últimos dias das suas vidas, rodeados daquele carinho que nunca teriam, vivendo na solidão das suas residências, pois, como todos sabem, a vida actual não permite aos filhos (salvo raras excepções) cuidar dos seus progenitores, como eles, depois de uma vida de trabalho intenso, certamente mereciam.
Todos sabem como a vida está difícil e como é penoso para um filho, encontrar um Lar ao alcance das suas possibilidades para poder acolher condignamente aquele pai, que tudo fez, enquanto podia, para dar ao seu filho, uma vida bem melhor do que a sua, quantas vezes, até, desfazendo-se de alguns bens que possuía, só para que o seu “menino” pudesse terminar o curso preferido, objectivo que, ao fim e ao cabo, fazia daquele pai o homem mais feliz do mundo.
Por aqui se vê como a vida é traiçoeira e ingrata, quando se sabe que, uma mãe carrega durante nove meses o seu filho amado e, quando finalmente o põe no mundo, passa a vida a perguntar a si própria, o que será o futuro daquele ser tão desejado.
Quando esse dia acontece, pai e mãe abraçam-se, abraçam-se e beijam-se, prometendo, juntos, lutar até à morte pelo bem-estar daquela criança.
Segue-se depois um ciclo, lindo, em que a ternura e o amor daquela mãe são postos à prova, quando nas longas noites de Inverno, os progenitores, revezando-se, embalam o lindo fruto do seu amor, com tal desvelo, ao que acriança parece agradecer, deixando de chorar e ao mesmo tempo dando algum descanso ao pai.
A mãe, o coração de mãe, é mais sensível e por muito que se esforce, não consegue fazer a vontade ao seu corpo já fragilizado.
Esta criança, como tantas outras, viveu na sua terra sob a tutela dos pais até ao fim da adolescência. Depois partiram, uns para terminarem os seus cursos, outros para actividades mais modestas, mas todos com o mesmo objectivo: singrar na vida.
Alguns desses jovens que partiram, irão, certamente, voltar, agora que atingiram a idade de reforma e que na sua terra poderão usufruir, finalmente, de uma casa de acolhimento, onde poderão passar o resto das suas vidas, com aqueles amigos que cá deixaram e relembrar os bons tempos que passaram juntos, em animados jogos de sueca e do belho.
A vida é assim! A mocidade passa depressa e quando damos por isso, a velhice chegou. Quando tal acontece, um sorriso e um pouco de carinho são suficientes para nos fazerem sentir felizes.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Balneários do campo de futebol foram vandalizados

Não há palavras para descrever tanta maldade e tanta falta de senso, de alguns jovens que, nas férias, frequentam a nossa terra.
Bem sabemos que há muito tempo o campo de futebol está às moscas, mas ainda assim os balneários não têm que ser estupidamente destruídos, não só porque é um património da nossa terra, como também por serem os jovens aqueles que mais o utilizam, sempre que, de quando em vez, se organiza alguma paródia futebolística..
Para além disso, alguns turistas que nos visitam em grupo é ali que vão tomar o seu duche.
Não sabem estes jovens que para além de estarem a destruir um bem de que eles são os primeiros beneficiários, estão também a “ir ao bolso” do Grupo Desportivo e Cultural da sua terra, a entidade que, por enquanto, é o seu responsável.
Cabe aqui perguntar, se não seria mais útil, se esses mesmos jovens utilizassem as suas forças e o seu “talento”, limpando o campo de futebol.
Depois, quando as coisas acabam, admiram-se de não haver cá nada onde passar os tempos livres...
É tão triste constatar, que aquilo que foi conseguido com tanto sacrifício, seja assim, tão cobardemente vandalizado.

domingo, 9 de dezembro de 2007

TEMPO DE NATAL

NATAL DA MINHA INFÂNCIA...
Quando chega a quadra do Natal, quantas vezes dou comigo de olhos fechados, a pensar no Natal a minha infância.
Fecho os olhos..., porque só fechando os olhos, consigo ver passar no meu pensamento, aquilo que foi o meu Natal.
E que saudades eu tenho...
Tenho saudades do Natal que era passado à lareira, a bebermos uma caneca de café e a comermos filhós que a minha mãe sempre fazia. E eram tão boas...
Ao fechar os olhos, consigo ainda sentir o cheiro do café e dos fritos, que pairava no ar, dando logo o típico ar de Natal.
O meu Natal, até aos 10 anos, em que vivia numa pacata aldeia do Alto Alentejo chamada Amieira do Tejo, era assim:
O nosso Natal era sempre passado em casa, com os meus pais, os meus irmãos e um tio da minha mãe que era solteiro e vivia só, então passava sempre o Natal connosco. Foi uma figura a que nos habituámos a estar sempre presente, como se fosse uma figura do presépio. Eu e os meus irmãos, gostávamos muito deste nosso tio, o “nosso tio Luís”, mais ainda porque ele nos dava sempre uns chocolatinhos e por vezes uma notinha, dizendo à minha mãe: “Toma lá, Maria, para comprares qualquer coisa que eles precisem!”
Que saudades eu tenho do tio Luís. Infelizmente, já cá não está.
Era uma quadra passada com grande tranquilidade. Não havia stress nem centros comerciais, não havia aquela “dor de cabeça” de pensar se aquele ou aquelagostará disto ou daquilo...
Não havia a preocupação de dar, só por que se podia receber. Não havia nada disso. Simplesmente, paz!
As”prendas” que os meus pais davam à família e às pessoas a quem deviam favores do dia a dia, eram umas couves, umas filhós ou uns enchidos e era quando era, não havia obrigações.
Nada mais fazia falta, pois existia o mais importante e que não era necessário comprar: a interajuda para o que fosse preciso e a amizade.
Por volta do meio do mês de Dezembro, saia ao campo, com os meus irmãos e o meu pai para apanhar o pinheiro de Natal, pois nessa altura ainda se podia fazê-lo e havia muitos. Outras vezes, era o meu pai que aparecia com ele em casa.
Também íamos apanhar musgo e o meu pai sabia sempre onde estava o melhor. Era uma alegria. Todos juntos, decorávamos o pinheiro e fazíamos o presépio.
O cheirinho do pinheiro e do musgo era único, nunca mais o senti. Logo aí começava o nosso Natal, até à noite da consoada e ao dia de Natal.
Chegada essa noite, juntávamo-nos à mesa para comer a tradicional couve portuguesa com batas, ovo e bacalhau. Bacalhau que nem sempre havia... mas não fazia mal. O estarmos ali juntos, a viver o “espírito de Natal” já era uma dádiva tão boa que superava qualquer falta que houvesse na mesa.
Terminada a ceia reuníamo-nos à volta a lareira a conversar, a beber café que era feito numa cafeteira à lareira e que tinha um cheirinho e um sabor como não há igual.
Também comíamos filhós, que a nossa mãe fazia com tanto carinho e, só por isso, sabiam tão bem.
A dada altura, eu e os meus irmãos íamos para junto do pinheiro e do presépio contemplá-los e cantar músicas de Natal.
Ansiosos, esperávamos a meia-noite, não para receber prendas, mas para beijar o Menino Jesus e colocá-lo no presépio.
A nossa árvore não tinha presentes por baixo, mas estava carregada de amor e de magia, a magia do Natal: paz, amor, família e Jesus!
Passada a meia-noite, a minha mãe mandava-nos para a cama e dizia-nos para deixarmos os sapatos debaixo do pinheiro, para que de manhã fôssemos ver o que é que o Menino Jesus nos tinha lá deixado.
Não imaginam a nossa felicidade quando chegávamos ao pé dos nossos sapatos e lá tínhamos, enrolados em papel pardo uns chocolatinhos em forma de sino, Pai Natal, pinhas e muitos outros. Singelos chocolatinhos que nos enchiam de felicidade. Com as suas pratas fazíamos separadores para os livros, alisando-as bem e quando as rompíamos ficávamos desesperados.
Era assim o meu Natal, recheado de paz e de amor, de sentimentos puros verdadeiros, não o Natal de bens materiais como se vê hoje.
Ainda me lembro, quando saia à rua, as pessoas me perguntavam: “Então, o que é que foi o teu Menino Jesus? O que é que tiveste no sapatinho?
E, não : o que é que o Pai Natal te deu?, a pergunta de hoje em dia.
Que pena que tudo isto passou, tudo isto se perdeu.
Hoje o meu Natal é bem diferente, envolvida, com outras pessoas, neste mundo de consumismo, de desperdício de tempo e de dinheiro, numa azáfama que muitas vezes só termina na véspera de Natal.
E pergunto-me, muitas vezes: Porquê? Porquê toda esta correria?
O Natal não é isto em que o tornámos. O Natal é momento de paz, altura de reflexão, é a família, é, na verdade, a espera de alguém que ainda pode trazer a paz ao mundo e aos nossos corações. Esse, alguém, é Jesus!
É por causa dele que o Natal existe; é por Ele que o celebramos e tão poucas vezes falamos dele.
Isto sim, isto é que é o Natal para mim e acho deveria ser para toda a gente...
Ainda vamos a tempo de o salvar, de fazermos renascer esta linda quadra que é o Natal e que foi a maior prova de amor que veio ao mundo: Jesus Cristo.
Vamos salvar o Natal? Depende de mim, depende de ti e de todos nós.
Ana Paula Horta