quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Amieira na objectiva de Armando Gaspar



Fotos de excelente recorte técnico e artístico de Armando Gaspar, um visitante habitual de Amieira do Tejo e do Norte Alentejano.
Estas fotos e outros Olhares da Natureza podem ser vistas em http://armandogaspar.blogspot.com

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

POETAS POPULARES DE AMIEIRA

Não é desgraça ser pobre
Há quem pense que ser pobre
Não passa duma desgraça
Quantas vezes se é mais nobre
Que muitos que têm massa

Com isto não quero dizer
Que valha mais a pobreza
Mas temos que nos convencer
Que não é tudo a riqueza

Quanto muito pode dar
Alguns bens materiais
Mas quando se quer amar
É preciso muito mais.

Só o amor é riqueza
Que nos dá felicidade
Muito mais que a Nobreza
Irmã gémea da maldade

Eu bem sei que há excepções
Em toda a parte da terra
Mas por causa dos milhões
É que o mundo anda em guerra

Medita pois amigo meu
Nas palavras que te digo
Todo o mundo será teu
Terás em todos um abrigo
- Jorge Pires

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Progresso ou desencanto?

Torre - Foto de Armando Gaspar em http://armandogaspar.blogspot.com
Quem visitar hoje Amieira do Tejo, poderá pensar que a nossa terra atravessa uma grande onda de progresso devido à acumulação de obras públicas que estão em curso na Praça Nun´Álvares, na rua do Arrabalde e Lar de Acolhimento.
No sector privado foi inaugurado há pouco tempo o Turismo Rural no Chão do Prior, único no concelho.
De facto e embora não queira tomar uma posição de derrotismo, o que é verdade é que o desencanto está hoje, mais do que nunca, na mente daqueles que preferem enfrentar a realidade futura, cada vez com menos soluções humanas para fazer face a eventuais tempestades que nos possam atormentar.
No entanto, uma luz ao fundo do túnel parece agora trazer nova esperança a este burgo, com a criação de uma nova associação com um projecto único em Portugal e que dá pelo nome de RURAT.
Trata-se de uma organização composta por gente idónea e responsável, será, pois, importante para a nossa terra que este projecto não siga o exemplo de muitos outros que acabaram, pura e simplesmente, por abortar. É nosso dever como amieirenses, apoiar estes homens que apesar da crise tiveram a coragem de, voluntariamente, abraçar este projecto cujo objectivo é valorizar o património dos seus associados, através de intervenções de beneficiação (obras, cultivos, criação de actividades) arrendamento ou venda.
Esperemos agora que o povo de Amieira entenda a palavra associação e não comece a inventar adjectivos, muitas vezes com a costumada intenção destrutiva.
É preciso pensarmos que Amieira, como a maior parte das terras do interior, está cada vez mais deserta e a grande responsabilidade de tudo isto é das cegonhas que antigamente traziam meninos às carradas e agora, nem vê-los...
Se calhar já estão ricas ou, então, é por causa dos combustíveis!...
Jorge Pires in "Jornal de Nisa" nº 263

domingo, 28 de setembro de 2008

Bom tempo apadrinhou festas de Amieira do Tejo

Sob o signo do bom tempo decorreram em Amieira do Tejo os tradicionais festejos em honra de Nossa Senhora da Sanguinheira.
A abrir, no dia 12, um animado baile abrilhantado pelo trio PPR de Gáfete, tendo actuado no intervalo as Contradanças de Alpalhão com os seus lindos trajes.
Deliciaram e fizeram lembrar as marchas e outras danças que aconteciam em Amieira pelo Carnaval, comandadas pelo saudoso amieirense Alfredo Garcia.
No dia seguinte, sábado, aconteceu a sempre esperada tourada à vara larga, desta vez com forcados experimentados, vindos das redondezas e que fizeram questão de abraçar todas as vaquinhas que lhes apareceram pela frente.
Mais tarde, realizou-se a procissão da capela para a igreja matriz, onde a imagem da santa pernoitou. No recinto das festas, seguiu-se o arraial onde o grupo Seara Jovem, actuando desta vez sem chuva, pôde mostrar as suas potencialidades em matéria de música tradicional portuguesa. O arraial avançou noite adentro e os frangos continuavam a debandada a caminho dos estômagos, principalmente dos forasteiros.
No dia 14, realce para a missa dominical seguida de imponente procissão, a que foi dado o nome de “procissão do adeus”, a caminho da sua capela, onde os habituais lenços brancos, mais uma vez, mostraram que em Amieira a fé continua como sempre, no coração dos amieirenses.
Na segunda-feira, como se esperava e devido à abertura das aulas, houve muito menos gente, sendo o arraial abrilhantado pelo já conhecido Nuno José.
Parabéns a quem ainda se vai esforçando para que a tradição continue de pé.
- Jorge Pires in "Jornal de Nisa" nº 263 - 24/9/08

domingo, 7 de setembro de 2008

CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE JOÃO VIEIRA PEREIRA

Morreu um homem bom *
Deve ter morrido feliz e de consciência tranquila. Fez bem sem olhar a quem, guiou-se pelos princípios mais simples e valorosos que um homem pode ter.
Um Homem com H maiúsculo. Se quiséssemos escolher um cidadão exemplar, amigo de todos, especialmente dos mais modestos, não teríamos dúvidas em eleger do Dr. João Vieira Pereira.
Viveu quase 85 anos, com uma juventude imbatível, com uma força de viver inigualável, com uma amizade pelos outros, transbordante, como uma actividade incansável.
Há muito que o tínhamos por amigo e em momentos recentes que passámos por provações difíceis, tivemos sempre dele uma visita oportuna, uma palavra amiga.
As palavras e as homenagens, muitas delas de circunstância não alterarão a imagem e a gratidão de todos os que o conheceram, que privaram com ele, que foram seus doentes e amigos.
Pena foi que em vida não tenha sido consagrado ao mais alto nível pela sua dedicação à comunidade, mas isso não lhe fará incómodo, porque muitos dos que são agraciados nessas circunstâncias, não merecem nem de perto aquilo que ele é credor.
Não temos mais palavras para testemunhar a nossa gratidão, porque a comoção ao escrevê-las nos impede de continuar.
Para nós, a vida vale a pena pelo facto de termos conhecido o Dr. João Vieira Pereira e alguns como ele, que são verdadeiros amigos, que sabem comungar o sofrimento e as alegrias de forma perene.
Obrigado Dr. João Vieira Pereira.
JLAS
* Texto publicado em 1993 na “Gazeta das Caldas” por ocasião do falecimento do médico amieirense.
** Não deixe de ler a notícia da homenagem ao Dr. Vieira Pereira na próxima edição do Jornal de Nisa

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

PROJECTO ÚNICO EM PORTUGAL ESTREIA-SE EM NISA

Associação RURAT reabilita património urbano e rústico de Amieira do Tejo
No âmbito da Nisartes’08, foi apresentada a RURAT – Associação de Gestão e Reabilitação Urbana e Rústica de Amieira do Tejo. A associação sem fins lucrativos, projecto pioneiro de características únicas em Portugal, vem revolucionar os modelos de gestão do património natural, humano e edificado ao nível autárquico.
Apostando em combater a desertificação e aumentar a oferta turística em todas as suas vertentes, a RURAT visa promover o desenvolvimento sustentável e o surgimento de novas cadeias de valor na área geográfica da freguesia de Amieira do Tejo (concelho de Nisa) e envolvente.
A Associação assume-se como uma organização não-governamental de economia social, com competências, recursos e vida própria, tratando-se da primeira experiência nacional onde a solidariedade intergeracional constituirá o motor do desenvolvimento económico da Região.
Entre os seus objectivos estratégicos, a RURAT privilegia o apoio aos proprietários e outras entidades públicas, privadas e associativas que não tenham disponibilidade financeira, capacidade física, vocação empreendedora ou idade para o mais correcto e rentável usufruto e exploração dos seus bens.
Nesses casos, através da celebração de contratos jurídicos, acordos ou protocolos, a RURAT ficará com o direito temporário de usufruto e exploração desses mesmos bens, no pressuposto de os rentabilizar e, consequentemente, remunerar em função das contrapartidas que vier a obter. O objectivo é valorizar o património dos associados da RURAT através de intervenções de beneficiação (obras, cultivo, criação de actividades), arrendamento ou venda.
A Associação irá também promover a intervenção e investimento no espaço público e património histórico-cultural, designadamente através da recuperação, construção e gestão de estruturas culturais, desportivas e recreativas, da implantação de unidades e equipamentos turísticos e de lazer e da reabilitação e reutilização de habitações e imóveis de traça tradicional.
A RURAT propõe-se ainda recuperar e gerir património devoluto, degradado ou em pousio, concentrando-o, gerando escala e conferindo-lhe novas funcionalidades para, em função do seu potencial produtivo, encontrar a melhor forma de o rentabilizar e voltar a transformar em activo.
Magnífica em beleza paisagística, rica em património arquitectónico e histórico-cultural, favorecida ao nível de acessibilidade, bafejada em termos de localização geográfica e gentil na hospitalidade, a freguesia de Amieira do Tejo prepara-se assim para uma nova era de desenvolvimento, através dos seus recursos endógenos, correctamente intervencionados e aproveitados por via de um plano estratégico de alcance global.
Quem são os fundadores
São fundadores da RURAT – Associação de Gestão e Reabilitação Urbana e Rústica de Amieira do Tejo, os cidadãos João Godinho, Novais Tavares, João Barata, Fernando Trindade, Jorge Camarneiro, Rafael André, Paulo Valério, José Manuel Alves, José Jorge Marchão, Rogério Dias, Rui Tomás Marques e Victor Camarneiro, que aprovaram, igualmente, a denominação, estatutos e objectivos estratégicos.

sábado, 12 de julho de 2008

OPINIÃO: A BARCA SEM BARQUEIRO

E o Poço do Concelho?
“Operação Poço do Concelho”, está em marcha!
Foi este o título que me chamou a atenção ao voltar a ler um dos jornalinhos da nossa terra, numa tentativa de matara saudade e voltar a recordar o que já ficou para trás.
O jornal tem o nº 163, de Julho de 2005, já lá vão 3 aninhos e até parece que foi ontem, mas não, o tempo é que passa depressa demais e nós quase não damos por ele.
Ao ler este artigo constatei que, afinal de contas este tema foi mais um dos “tantos assuntos” que ficaram por concretizar, ou seja, ficou tudo em “águas de bacalhau”.
É triste que os assuntos venham à baila, sejam falados e planeados, mas, raramente sejam concretizados.
Como amieirense que ama a sua terra, faço um apelo para que voltem a ler novamente o jornal onde se encontra este tema: “Operação Poço do Concelho” está em marcha!
Apelo a que desta vez, ao lerem este artigo, o façam de alma e coração, pois só assim lhe darão o verdadeiro valor. Presumo que o tenham bem guardado, pois se seguirem o meu exemplo, têm-no de certeza. Eu guardo, religiosamente, todos os exemplares, para um dia mais tarde recordar.
Ao lerem-no vão ficar novamente dentro do assunto e irão saber do que vos estou a falar.
Agora, pergunto a quem de direito, a quem tem de dar o primeiro de um longo passo: não acham que devemos levar esta iniciativa para a frente?
Se todos contribuirmos com o nosso donativo, por pouco que ele seja, conseguiremos alcançar o muito. Deste modo será possível a reposição do poço do concelho, como já havia dito o senhor Jorge Pires, esse bom homem, cheio de valores morais e humanos, sempre pronto a defender o nosso património.
O senhor Jorge pergunta, nesse mesmo jornal, numa carta aberta ao “Povo Amieirense”: Vamos reactivar o Poço do Concelho?
Senhor Jorge, eu, Ana Paula Horta, mesmo já passados três anos, quero dizer-lhe que estou consigo e com todos os que queiram levar este projecto avante. Da minha parte, estarei disposta a dar o meu contributo, por mais pequeno que ele seja.
Acredito que todos os amieirenses residentes ou não residentes, bem como todos os amigos de Amieira, gostariam de ver esta obra concretizada.
Para quem ali nasceu e cresceu bem se lembra da imagem do Poço do Concelho, imagem essa que guardam muito bem na sua memória. Trazê-lo de volta seria quase a construção de um memorial, pois são muitos os que o recordam com saudade.
A mim, só me resta dizer: se recordar é viver, então está na hora de recordar o que este poço foi em tempos e todos juntos, unidos, vamos trazê-lo de volta, pois a união faz a força, todos juntos iremos vencer e o Poço do Concelho iremos erguer!
O meu, nosso, muito obrigado e esperamos em breve obter alguma resposta por quem de direito. Obrigado
Ana Paula Horta in "Jornal de Nisa"

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Chão do Prior é inaugurado no dia 28

Primeiro Turismo Rural em Amieira do Tejo
O Presidente da Comissão Instaladora da Área Regional de Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, inaugura dia 28 de Junho, pelas 18.00h, o Chão do Prior, um novo Turismo em Espaço Rural no Norte Alentejano, situado na aldeia de Amieira do Tejo, concelho de Nisa.
Trata-se de uma antiga casa adquirida pela família de Idalina Trindade e recentemente restaurada e adaptada a Turismo Rural.
O Chão do Prior tem 6 quartos duplos, 2 suites e um apartamento T1, sobriamente decorados pela proprietária que, curiosamente, costurou todas as colchas e cortinados. Todos eles se mostram decorados com gosto, mantendo sempre o jogo de cores e combinando os elementos decorativos. Os preços oscilam entre os 50€ e os 70€ dos quartos duplos, os 75€ das suites e os 90€ do T1.
Situado nos anexos da casa, o apartamento é composto por quarto, sala com lareira e TV, casa de banho e cozinha equipada com frigorífico e placa eléctrica, onde os visitantes dispõem de mais privacidade durante uns dias de descanso.
Com vista para o jardim, no Quarto da Piscina saltam à vista os tons verdes da colcha e cortinados, salpicados do amarelo dos girassóis dos quadros e vasos que decoram o espaço. Como o nome indica, ao acordarem, os visitantes beneficiam da refrescante e agradável vista para a piscina, onde dar um mergulho nos quentes dias de Verão.
Ainda nos anexos, os clientes dispõem de uma cozinha do fumeiro totalmente equipada e tradionalmente decorada, onde se podem confeccionar refeições temáticas que serão servidas na ampla sala de convívio, antiga cavalariça da casa. Neste espaço, os visitantes dispõem ainda de um sofá onde descansar, ler um livro ou ouvir música ou, se preferirem, podem também confeccionar pão no forno ali disponível.
Já na casa principal, o rés-do-chão acolhe o Quarto do Prior, o Quarto da Glicínia e o Quarto Juvenil. O Quarto do Prior é decorado em tons rosa claro e destacam-se os pormenores dos laços nos cortinados e os quadros bordados à mão, ilustrando algumas fábulas. Ideal para dois irmãos, amigos ou familiares, o Quarto Juvenil possui duas camas e é decorado em tons brancos e vermelhos, que lhe conferem uma certa alegria. No Quarto da Glicínia, os visitantes podem sentir o aroma e apreciar a beleza da flor que lhes espreita à janela todas as manhãs, tendo, assim, um acordar diferente num quarto onde predominam os quentes tons laranja.
Subindo ao primeiro andar pela escada de madeira, pode-se encontrar a Suite da Varanda, onde predominam as cores beige e bordeaux. Aqui, os visitantes podem também desfrutar de alguma privacidade, passando momentos relaxantes no sofá, em frente à televisão, ou tirando partido da vista da varanda. Ao lado, a Suite dos Noivos é uma das poucas partes da casa que manteve a antiga estrutura. Trata-se de uma homenagem aos tempos de antigamente, em que os antigos proprietários da casa cediam gratuitamente este quarto para os nubentes. Na ampla casa de banho, saltam à vista os azulejos verdes, a constrastar com o branco de um antigo lavatório.

É ainda neste andar que se situa a sala de refeições e uma cozinha tradicional alentejana, que manteve também os antigos azulejos e o lava-loiças. Ao lado encontra-se a sala de refeições, onde o pequeno-almoço é servido das 8:30h às 10:30h. Quem preferir, pode prolongar esta refeição, ler um livro confortavelmente sentado no sofá ou fazer uma partida de xadrez. A sala tem também ligação à varanda, amplo espaço com cadeiras onde desfrutar da suave brisa e da tranquilidade do lugar.
Subindo mais um pouco, as escadas conduzem aos restantes dois quartos: Quarto do Castelo e Quarto do Calvário, equipados com wc completo, aquecimento central e televisão. Como o nome indica, o Quarto do Castelo tem uma vista magnífica para o Castelo da Amieira do Tejo, combinando os tons azuis e brancos e inovando nos detalhes. Já o Quarto do Calvário, como o nome indica, tem vista para o Calvário, um outro local de interesse na aldeia. Aqui saltam à vista os tons beige e castanho do xadrez da colcha e a confortável cadeira de verga onde descansar e apreciar a vista.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

POETAS POPULARES DE AMIEIRA

Foto de Armando Gaspar in http://armandogaspar.blogspot.com
Amieira tão linda és
Oh Amieira do Tejo
Do casario tradicional
Igual a ti eu não vejo
Neste lindo Portugal.

Tens o castelo a teus pés
E o Calvário á cabeceira
Tão bonita que tu és
Nobre vila d´ Amieira

Altaneiro e imponente
Bem ao fundo do povoado
Tens um castelo diferente
Dos muitos que há no condado.

De forma rectangular
E uma cisterna no meio
Quatro torres a enquadrar
Esse magnífico esteio.

Recordação gloriosa
Dum homem que não morreu
Só descansa em Flor da Rosa
Pelo muito que viveu.

Casas pequenas muito antigas
Feitas por outra geração
Cenário de algumas brigas
Quando não havia pão.

Lá ao fundo e a teu lado
Passa o Tejo encantador
Que está por ti apaixonado
Pelo teu grande valor.

Também tens uma Barragem
Cujo nome está errado
Pois toda a sua montagem
Foi feita cá deste lado.

Tens ainda boas águas
E um vinho excepcional
Onde afogo as minhas mágoas
Se por acaso me sinto mal.

Também tens o Mártir santo
À esquerda de quem desce
Tens o teu maior encanto
Quando a Oliveira floresce.

À direita a Capela
Da milagrosa Padroeira
Toda a gente gosta dela
Nesta vila d ´Amieira.

Tu tens a Misericórdia
De grande significado
Também tens muita discórdia
Que herdaste do passado.

Tinhas um santo que se evaporou
Que coisa levada da breca
Há quem diga que abalou
Por não gostar da charneca.

Capelas muitas capelas
Capelas com linda vista
Mas a mais bonita delas
É a de S. João Baptista

Tens a igreja principal
Majestosa que ela é
Onde se prega afinal
O culto da nossa fé.

Mas a tua maior beleza
Está na simplicidade
Conserva pois essa riqueza
Até à eternidade.
Jorge Pires

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Castelo de Amieira reabre ao público

Acordo entre Câmara de Nisa e Delegação Regional de Cultura do Alentejo
A partir do próximo dia 10 de Junho, o Castelo de Amieira do Tejo volta a abrir, proporcionando ao público a visita ao monumento.
A reabertura do Castelo torna-se possível graças a um acordo com a Delegação Regional de Cultura do Alentejo que culmina as diligências da Câmara Municipal de Nisa e da Junta de Freguesia de Amieira do Tejo para pôr fim a um prolongado período de tempo em que o Castelo esteve encerrado.
O Castelo de Amieira do Tejo é um monumento nacional que está sob a tutela daquela Delegação Regional. No termos do acordo que possibilita a reabertura: o município nisense assume a gestão do monumento, nomeadamente no que respeita á limpeza do espaço e aos recursos humanos; a Delegação Regional de Cultura do Alentejo assume o compromisso de melhorar as condições de acesso à Torre de Menagem e de intervir no espaço de modo a implementar um núcleo interpretativo, subordinado à influência das Ordens de Malta e dos Hospitalários.
Entretanto, por deliberação da Câmara Municipal de Nisa foram delegadas na Junta de Freguesia de Amieira do Tejo as questões referentes à abertura do Castelo e foi atribuída uma verba que permite à Freguesia suportar os encargos respectivos.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

POEMA SOBRE AS CRIANÇAS

A ti, criança, quero-te dizer...
Quero dizer-te que também já fui criança.
Sim, já fui criança como tu.
Sabes? O que agora és, eu já fui
O que fazes, eu também já fiz.
E acredita: É tão bom, ser criança!
Mas passa tão depressa...
Por isso, criancinha, não tenhas pressa de crescer!

Escuta: Já fui criança, não sou mais
Agora que cresci, tenho apenas essa criança
Que um dia fui, guardada no meu pensamento
Especialmente, no meu coração.
Se brinquei? Claro que sim!
Brinquei tanto, que nem imaginas...
Corri, saltei, fantasiei, inventei!
Fantasias e invenções próprias da idade
E que me faziam sonhar...
E como é bom sonhar! Sonhar com fadas,
Príncipes, dragões e palácios de encantar!
Como eu gostava de fantasiar...

Criança pequena, escuta o que te digo:
Todos os adultos que conheces já foram crianças um dia.
Os teus avós e os teus pais também já o foram.
Agora, és tu; é agora, o teu tempo: o tempo de seres criança!
Aproveita-o bem, sem pressa de crescer, tudo tem o seu tempo!
Sabes, um dia vais lembrar-te destas palavras...
Talvez as vás dizer também a alguma criança
Vais (quem sabe) sentir o que eu hoje sinto
Pois é impossível não sentir...

Fecho os olhos e sinto que o tempo passou tão depressa...
Não sou mais criança! Cresci e sou adulta.
Queria recuar no tempo e voltar a ser aquela criança
Que correu, saltou, criou, inventou e tanto brincou!
Tenho tantas saudades... Mas o tempo não volta atrás
Mantenho viva a criança que já fui, no meu pensamento
E no meu coração.
Por isso, criança, não tenhas pressa de crescer!
Um dia mais tarde, irás ter saudades
De essa criança voltar de novo a ser!
Com todo o amor, dedico a todas as crianças do mundo, homenageando-as no Dia Mundial da Criança (1 de Junho).
Ana Paula MN Conceição Horta

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sousa Casimiro morreu em acidente

Morreu Sousa Casimiro. O conhecido profissional da comunicação social foi vítima de um acidente de viação, ocorrido de acordo com a Brigada de Trânsito da GNR poucos minutos depois das 14 horas, na estrada nacional 118, nos arredores de Alpalhão, quando se despistou a viatura em que seguia.Manuel Sousa Casimiro foi o fundador da Rádio Antena Livre (RAL), em Abrantes, a primeira experiência de uma rádio local privada em Portugal, que começou a emitir como estação "pirata”.Rumou depois a Portalegre, onde foi Director da Rádio Portalegre, levando a estação da capital de distrito à liderança das audiências no Alentejo.Depois de deixar a Rádio Portalegre criou a sua própria empresa de prestação de serviços nas áreas da comunicação social e animação, a "Sousa Casimiro Produções". Foi precisamente com esta sua empresa que colaborou com a Rádio ELVAS no acompanhamento de diversas edições da Volta ao Alentejo e da Volta a Portugal em Bicicleta. O ciclismo era, aliás, uma das suas grandes paixões.Mais recentemente, Sousa Casimiro constituiu a empresa "Cor do Som”, que se dedicava a assegurar a sonorização de espectáculos e outros eventos. Ainda nesta última semana estivera em Elvas com os seus colaboradores, assegurando o som da maioria dos concertos da Semana da Juventude.O corpo de Sousa Casimiro foi transportado pelos bombeiros de Nisa para a morgue do Hospital de Portalegre.
Jornal de Nisa faz suas as palavras dos directores e colaboradores da Rádio Elvas e nesta hora de dor que a todos nos atinge, envia as mais sentidas condolências à familia neste difícil momento.
Fonte: Rádio Elvas

segunda-feira, 19 de maio de 2008

As cegonhas voltaram ao Calvário de Amieira

Quem pensou que as cegonhas se tinham mudado para outras paragens... então, bem se enganou.
É que elas voltaram e pelos vistos em maior número. Decidiram voltar a fazer o ninho no alto da cruz do calvário e eu pude ver com os meus olhos essa pura beleza da natureza, numa recente ida a Amieira.
As cegonhas contemplaram-me com uma linda visão do seu planar por cima do Calvário, um pouco envergonhadas e tímidas ao quererem pousar, não sei bem porquê.
Parecem não se sentirem bem-vindas, por algo ou alguém, o facto é que, parecem inseguras, mas lá voltaram...
É que ao contrário de muitos seres humanos, elas são fiéis aos sítios e às tradições e isso é bonito de se ver!
Sem precisarem de ajuda ou de autorização para construírem os seus lares, como assim lhes manda a natureza, são elas que escolhem onde e como querem construir os seus ninhos e tanto lhes dá que o ser humano as queira mudar de lugar ou não, pois são fiéis ao lar que as viu nascer, acabando sempre por voltar.
Por isso, não vale a pena quererem mudar os hábitos destas aves tão maternais. Deixemo-las construir os seus avantajados ninhos onde sempre nos habituaram a vê-los e que na minha opinião, são de uma enorme beleza.
Já agora, aproveito também para dizer, que não vejo a necessidade dos paus que estão já cada um para seu lado, junto à cruz do Calvário, ao que parece seriam para servir de suporte ao ninho das cegonhas há uns anos atrás, dando agora, apenas, uma imagem inestética, bem como as silvas que também não fazem lá falta nenhuma e vão alastrando cada vez mais, contribuindo dessa forma para um aspecto pouco condizente com um dos edifícios religiosos mais bonitos de Amieira.
Quanto às cegonhas, deixemo-las construir os seus ninhos e escolher o seu sítio para viver.
Os habitantes de Amieira e todos os que a visitam, podem, agora, ser contemplados por algo de maravilhoso que se vai passando, pelo menos no exterior do Calvário.
Termino com o refrão de uma música que será do conhecimento de muitos:
Não façam mal à cegonha
Nem ao ninho que ela tem
Porque um homem quando sonha
Sonha em ter filhos também!

domingo, 18 de maio de 2008

"A Casa do Barqueiro" em Amieira do Tejo

Manuel Paulino e Jorge Murteira

Amieirenses no Cine Teatro de Nisa

Convívio 3º aniversário ADN

Manuel Paulino na homenagem aos barqueiros

"A Casa do Barqueiro" exibida junto ao Tejo

Passeio de barco no Tejo
No âmbito das comemorações do 3º aniversário da ADN - Associação de Desenvolvimento de Nisa, o realizador do filme "A Casa do Barqueiro", Jorge Murteira, voltou a Amieira do Tejo para falar sobre a película premiada no Festival DOC Lisboa 07 e mostrar in loco, aos amieirenses e população do concelho, o filme premiado.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Lembrança do Dia da Mãe

AMOR DE MÃE

Amor de Mãe,
Sentimento tão puro e verdadeiro
Esse amor que nos ensina a viver
E nos ajuda a crescer!
O amor de Mãe atravessa fronteiras
Vence todas as barreiras!

Amor de Mãe
Esse amor tão grande
Que te faz sorrir, amara e chorar
Mãe
Se tantas vezes me dizes “Não”
É porque tens sempre razão
Se me dizes “Sim”
É por saberes sempre
O melhor para mim
Mãe, quando me olhas e sorris
Tens tanto para me dizer
O teu olhar terno e sorriso doce
Transbordam de “Amor de Mãe”
E, acredita Mãe, que me faz tão tem!

Se estou doente e triste
As tuas palavras curam-me as feridas
Os teus beijos e abraços
Atenuam a minha dor
E só tu consegues isso.
Com o teu “Amor de Mãe”
Amor esse tão forte e pioneiro
De entre todos, o primeiro
O maior e melhor do mundo inteiro.

Por tudo isto e muito mais
Já vale a pena viver
Nem que seja só para sentir
O teu amor de mãe.
* Dedico a todas as Mães, às mães biológicas, às mães do coração e em especial à minha querida Mãe.
Ana Paula M. N. Conceição Horta

terça-feira, 6 de maio de 2008

Impressionante manifestação de pesar

NO FUNERAL DO PADRE JOSÉ FARINHA SERRANO
Era uma pessoa muito querida em Amieira do Tejo, o Padre Zé, um homem cuja bondade se manifestava em todos os seus actos. Pode até dizer-se que em cada amieirense tinha um amigo, tal era a sua disponibilidade enquanto exerceu em Amieira, a sua actividade.
Também o Grupo Cultural beneficiou e muito com a sua compreensão, pois era no salão paroquial que o Grupo de Teatro ensaiava e fazia as suas representações.
Mas, um dia, quando se deu a sua ida para os Envendos, onde nos últimos longos anos, fez também os seus habitantes felizes, com a sua maneira de ser, o povo de Amieira chorou a sua perda, pois nunca por aqui passou um Padre tão íntegro como ele.
Por isso não admira que o seu funeral fosse tão participado, não só pelas gentes de Amieira, como de Belver, S. José das Matas, Envendos, de onde saíram vários autocarros a caminho daquela aldeia do concelho da Sertã, de onde era natural p Padre Zé. Paz à sua alma!

domingo, 4 de maio de 2008

Casa Paroquial ameaça derrocada

O último padre que habitou a Casa Paroquial foi, curiosamente, o padre Zé Serrano, com a sua simpática irmã Maria do Céu, duas pessoas maravilhosas que Amieira jamais esquecerá.
Agora, quando olharmos para aquela casa, à nossa memória virá imediatamente aquela figura simples, despida de preconceitos e que não sabia pronunciar a palavra não!
Mas, aquela casa, também está prestes a desaparecer, como o último padre que a habitou.
As marcas da ruína são bem patentes e começa a ser preocupante o seu aspecto de abandono, sem que alguém se preocupe com tal situação. A casa está com sessenta e tal anos de vida, pois eu era ainda um miúdo quando começou a sua construção.
Eu tenho também boas recordações daquela casa, pois quando saí da escola e fui para sacristão e ao mesmo tempo aprender sapateiro, passei lá muitos serões nas noites de Inverno, de volta da braseira coma irmão do padre Serra, a D. Eugénia e a sua criada, D. Maria Amália, à espera que o padre regressasse dos seus afazeres profissionais.
Talvez por isso, eu hoje sinta uma certa saudade daquela casa bonita que eu frequentei na minha adolescência e que hoje está doentes e prestes a morrer, como morreu o padre Zé.
Ele partiu com o seu coração cheio de amor pelos seus paroquianos.
Obrigado, amigo!
Jorge Pires - in "Jornal de Nisa" - nº 253

sábado, 26 de abril de 2008

A Casa do Barqueiro em Amieira do Tejo

Assembleia Geral da Misericórdia de Amieira

Correcção de notícia publicada
Sobre a Assembleia Geral realizada no passado dia 8 de Março, importa corrigir uma notícia que não corresponde à verdade sobre a votação e discussão das contas do exercício de 2007, que foram aprovadas por unanimidade e não com um voto contra, como na altura escrevi neste jornal. Sobre o assunto quero apresentar as minhas desculpas.
Quanto à questão da correcção das contas de 2001, estas haviam sido corrigidas do reembolso efectuado. Assim, o resultado líquido positivo apurado e aprovado naquele ano é de mil setecentos e cinquenta e cinco euros e dezassete cêntimos, equivalentes a 351.869 escudos e 50 centavos.
Foi este exercício infuenciado pelo débito de doze mil e trezentos euros, passando o resultado a ser negativo no valor de dez mil quinhentos quarenta e quatro euros e oitenta e cinco cêntimos.
Auscultada a Assembleia Geral, esta aprovou o procedimento de correcção das contas, tendo o associado senhor Olívio Marques votado contra, referindo que pretendia, face às explicações dadas pelo senhor Provedor relativas ao tipo de gestão efectuada durante muitos anos, fosse feita uma auditoria às contas referidas.
O Provedor sobre esta intenção adiantou que não era da mesma opinião, já que a auditoria já havia sido feita por si e que estava na posse de todos os procedimentos irregulares de gerência efectuados ao longo dos anos e que uma auditoria externa não conduziria a resultado diferente do já conhecido.
Foi aqui que se registou o voto contra.
Jorge Pires in "Jornal de Nisa" - Nº 253 - 16/4/08

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A Festa dos Passos - Poesia Popular

Pelo segundo ano consecutivo
O Senhor dos Passos saiu à rua
Esta festa só é possível
Com a minha presença e com a sua

Para a tradição não acabar
À Amieira temos de voltar
Para o ano se Deus quiser
Com a presença de todos queremos contar
Os Passos da Amieira
São uma antiga tradição
É uma festa graciosa
Que nos enche a alma e o coração.

Aos senhores padres
O nosso muito obrigado
Pois se não fossem eles
A tradição não tinha continuado.
Um grande Bem-Haja a todos os que marcaram presença em mais uma festa do Senhor dos Passos em Amieira.
Ana Paula Nunes Horta

sábado, 29 de março de 2008

Misericórdia de Amieira do Tejo

Construção do Lar de Acolhimento começa em Maio
Ao ser anunciado o início das obras para o próximo mês de Maio, o mês das flores, é caso para aqueles que já passaram muitas primaveras e que fizeram da sua mocidade um enorme jardim com as mais variadas espécies, voltarem a sorrir, afinal de contas nem tudo é mau em Amieira.
Realizou-se na sede da instituição, uma Assembleia Geral ordinária, no dia 8 de Março, com 55 irmãos presentes.
No primeiro ponto tratou-se da correcção às contas do exercício de 2001, pelo recebimento ilícito, naquele ano, de comparticipações do Instituto de Solidariedade e Segurança Social de Portalegre, no âmbito do acordo de cooperação, no montante de 12.300,02 €, oportunamente devolvido, na sequência da inspecção realizada à Santa Casa da Misericórdia, da responsabilidade da direcção que ao tempo geria a instituição.
No segundo ponto, houve discussão e votação das contas do exercício de 2007, tendo sido aprovadas por maioria com um voto contra.
O terceiro ponto da ordem de trabalhos foi aproveitado para tratar diversos assuntos, mas o que mais prendeu o interesse dos assistentes foi a revelação feita pelo senhor Provedor, do início da construção do lar de Acolhimento para o próximo mês de Maio.
Seguiu-se a comunicação dos resultado obtidos durante o exercício e que foram os seguintes:
Resultados operacionais = 28.989,42 €; Resultados Financeiros = 9.447,90 €; Resultados Extraordinários = 6.103,23 €; Resultado Líquido = 44.540,55 €.
Após a leitura pelo senhor presidente da mesa, da última acta, foi a mesma aprovada por unanimidade.
Jorge Pires in "Jornal de Nisa"

domingo, 23 de março de 2008

PASSOS EM AMIEIRA

A vergonha das silvas na fachada do Calvário
Centenas de amieirenses e amigos fizeram questão de estar presentes, um ano após a retoma, nesta cerimónia tão querida desta população, envergonhada perante os forasteiros pelo estado de abandono em que o património desta terra se encontra.
De facto, este monumento é belo de mais para ser tão maltratado. Muitos amieirenses ficaram espantados ao verificarem que desde o ano passado, o silvado não só lá continuava, como também tinha aumentado, para além disso, as cegonhas que habitam na cruz vão contribuindo de igual modo para a a degradação que continua a alastrar cada vez mais, sem que alguém responsável ponha fim a tudo isto.
O estado deste monumento no seu todo é lamentável, tão lamentável que penso que todos os amieirenses se devem unir em torno deste assunto.
É imperioso que todos nós não nos calemos e sigamos o exemplo dessa grande amieirense Ana Paula Horta que tanto tem lutado em defesa do nosso património que é ainda a causa de tantos turistas que nos visitam.
Quanto às cerimónias, este povo foi inigualável e apesar da grande ventania que se fazia sentir, a fé era mais forte e tudo se passou normalmente com o sermão da Praça e o encontro da Mãe com o seu filho amado, a ser o ponto mais alto.
Seguiu-se depois a caminhada até ao Calvário, com a banda de castelo de Vide a acompanhar a imagem do Redentor, cujas lágrimas invisíveis, não se sabe se eram pelo encontro ou por causa do mau estado em que se encontra a sua casa!...
Jorge Pires

domingo, 16 de março de 2008

Brilho e fé nos Passos em Amieira

Realizou-se no domingo, dia 9, a tradicional Festa dos Passos em Amieira do Tejo. Abrilhantada pela Banda União Artística de Castelo de Vide, decorreu com o brilho do ano passado, embora com um pouco menos de pessoas.
Cerca das 10 horas iniciou-se o peditório em Vila Flor, continuando depois pelas ruas de Amieira. Após o almoço, cerca das 14,30 h, iniciou-se a procissão a partir da Igreja do Calvário com a imagem do Senhor dos Passos até à Matriz, onde foi celebrada a Santa Missa, após o que a procissão foi retomada pelas principais ruas, até ao Calvário. Foi comovente o habitual Encontro, na Praça Nun'Alvares, vindo a imagem de Nossa Senhora das Dores pela Rua do Castelo, a partir da Capela da Misericórdia.
Estamos em crer que o ambiente de religiosidade vivido, será uma surpresa para os que ainda não assistiram a esta manifestação e que interessará divulgar para que Amieira do Tejo volte a figurar no roteiro da Festas Religiosas mais importantes do Concelho.

sábado, 1 de março de 2008

À Direcção Regional de Cultura do Alentejo

Carta da cidadã amieirense, Ana Paula Horta
Dr. José Nascimento – Director Regional de Cultura do Alentejo
“ Venho mais uma vez ao vosso encontro, embora desta para vos abordar sobre o seguinte: qual o porquê do castelo de Amieira do Tejo, o “Castelo Nun´Álvares” se encontra encerrado?
Presumo que sois vós a entidade competente para me esclarecer enquanto cidadã sobre este assunto. Se não o forem, então peço desde já as minhas desculpas, agradecendo se assim lhes for possível que me encaminhem ao sítio certo.
Partindo do princípio que é convosco, gostaria que me esclarecessem sobre este assunto, como cidadã deste país e filha da terra onde se situa o castelo. Tenho o direito de ser informada e com todo o respeito vós tendes o dever de me informar, como a todos os outros cidadãos, o porquê do castelo se encontrar encerrado.
No mês de Novembro de 2007 escrevi um artigo onde falava sobre o castelo estar encerrado. Esse artigo foi publicado no Jornal de Nisa no dia 14 de Novembro.
Foi o 2º artigo que fiz a falar sobre o castelo, visto não ser só de agora que este se encontra encerrado. Passando adiante...
Neste artigo no Jornal de Nisa dei a ideia para que quem de direito lá fosse ou mandasse colocar uma placa informativa na porta do castelo ou junto ao mesmo, explicando as razões pelo qual as suas portas se encontravam encerradas, a fim de quem o procura ficar esclarecido e não apenas bater com o nariz na porta.
É triste ver que nada fazem para nos esclarecer...
Não é isto que espero de vós. Estou certa de que sendo vós uma entidade tão competente e conhecida, merecem todo o nosso respeito. Espero também de vós esse mesmo respeito, por mim, como por todos os cidadãos, pedindo-vos, por favor que seja feito algo para que o castelo volte a abrir as suas portas.
Mas, enquanto isso não acontece... que seja colocada uma placa informativa sobre o “porquê” do castelo se encontrar encerrado.
Sem mais assunto, espero de vós uma resposta muito em breve, agradecendo a vossa paciente atenção e disponibilidade.
O meu muito obrigado e um Bem-Haja a todos os que trabalham nessa entidade.”
Ana Paula Horta

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Manuel Falcão e o castelo de Amieira

Opinião: Que fazer na Cultura?
Uma semana depois de terem surgido notícias sobre a degradação de peças importantes do património português, o director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) reconheceu não ter verbas para todas as obras que são necessárias nos imóveis de interesse patrimonial, da propriedade do Estado.
Edifícios históricos, como por exemplo o Castelo de Amieira do Tejo, erguido pelo pai de D. Nuno Álvares Pereira, estão fechados há anos por falta de condições de segurança e por falta de pessoal que vigie o monumento.
As relações entre as estruturas centrais e as autarquias– que podiam estar interessadas em garantir a possibilidade de visita destes equipamentos – são difíceis e muito burocratizadas.
O resultado está à vista e não é bom de se ver.
O Estado que não tem dinheiro para fazer a preservação do património é o mesmo que não tem verbas para fazer funcionar os Museus Nacionais de forma normal, mas que não se importa de desperdiçar dinheiro em operações de propaganda de gosto duvidoso. Em declarações ontem prestadas à TSF, o presidente da Associação de Arqueólogos Portugueses alertou para o facto de “as poucas verbas existentes” terem sido canalizadas para “projectos muito discutíveis, como é o caso da exposição com amostras de peças do Museu Hermitage”.
A situação não é de agora, vem de longe, e costuma redundar num dilema: o dinheiro existente deve ir para a salvaguarda do património ou para o apoio à criatividade? Em boa parte esta é uma falsa questão porque, na realidade, a primeira questão, na área da Cultura, é rever o modelo de funcionamento e de financiamento existente, rever a captação de receitas e rever a forma como são gastas.
Na realidade aquilo que faz falta ao Ministério da Cultura não é mais um conjunto de prioridades de acção cultural ou ideias de génios iluminados, é a criação de instrumentos legais que reestruturem serviços, que facilitem articulação com autarquias, que autonomizem instituições, que fomentem a participação dos privados, que tornem o mecenato mais atractivo, que estabeleçam claros incentivos fiscais, que consigam fomentar parcerias em vez
de servir clientelas, e que proporcionem o desenvolvimento de um mercado sem o qual falar de indústrias criativas é apenas um acto falhado.
Manuel Falcão in "Meia Hora" - 27/2/08
Leia também este texto em www.aesquinadorio.blogs.sapo.pt

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

60 caminheiros nos Trilhos de Amieira


No primeiro passeio do ano da Inijovem
A INIJOVEM, em colaboração com a sua Secção de Campismo e Montanhismo, realizou a sua primeira caminhada em 2008, no passado sábado dia 16 de Fevereiro na Freguesia de Amieira do Tejo, num percurso circular de pequena rota com cerca de 9,5km. Participaram 60 caminheiros de todas as idades, a mais nova com 9 anos e o mais velho com 60 anos de idade. Vieram não só do Concelho de Nisa, mas também de Castelo Branco, Évora e Idanha-a-Nova.
Após o secretariado e o briefing de boas vindas que teve lugar no Salão da Junta de Freguesia local, o percurso teve o seu início cerca das 09h15 em direcção à Igreja de S. João Batista e Castelo de Amieira, aproveitando uma parte da manhã bastante amena e indicada para caminhar e contemplar a natureza, os caminheiros foram-se dirigindo para a Ribeira de Álvaro Gil através de trilhos circundantes ao Castelo, ao passar a Ribeira dirigiram-se à Fonte com o mesmo nome, primeira e breve paragem para degustar a água que dela brotava e sacar as primeiras fotografias.
A caminhada seguiu por caminho antigo e bem vincado ainda por algumas pedras antigas que provavelmente teriam feito parte da sua calçada inicial, até à Vinha dos Barros e daí até à Tapada de Sena, a partir daqui e até descer de cota em direcção ao Rio Tejo, o percurso serpenteou por trilhos mais selvagens, já junto ao Tejo a segunda paragem, esta mais prolongada, não só para retemperar forças, mas também para apreciar o singular património natural e edificado desta zona e como o Rio estava baixo, conseguiu-se distinguir-se ao longe aquilo que restava de uma antiga azenha.
Novamente ao caminho por um trilho bucólico sempre a acompanhar o Rio agora em Direcção à Barca da Amieira, tempo para nova paragem para apreciar este importante porto de passagem entre o Alentejo e a Beira, a casa renovada do Barqueiro à espera da nova Barca. A parte final do percurso decorreu na PR1: Trilhos das Jans, percurso pedestre homologado pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal nesta Freguesia. Pouco passava das 12h30 quando todos os caminheiros se juntaram para a foto de grupo na escadaria da Capela de S. João Batista, após a qual visitaram o seu interior e também o Castelo. O Almoço convívio teve lugar no Salão da Junta de Freguesia de Amieira do Tejo, servido pela Sociedade Educativa Amieirense, com um reconfortante caldo verde e um churrasco misto. Palavras finais de agradecimento com o repto à mistura para a participação na IX Rota do Contrabando no próximo dia 15 de Março. Durante a tarde houve ainda tempo para uma visita ao Calvário da Amieira.
Aproveitamos esta oportunidade para agradecer a quem prestou a sua colaboração para que esta iniciativa fosse possível:
Ao Município de Nisa pela cedência de motorista e viatura de apoio; à Junta de Freguesia de Amieira do Tejo (pela oferta de lembranças, cedência de instalações, abertura da Capela de S. João Batista e Castelo e pelo apoio no reconhecimento efectuado na Ribeira de Alferreireira); ao nosso sócio nº 210 Pedro Ferrer pelo apoio no reconhecimento do percurso; à funcionária do Posto de Turismo de Amieira do Tejo, Nélia Nunes, no apoio às visitas à Capela de S. João Batista e Castelo. A todos os caminheiros presentes por continuarem a acreditar nas nossas iniciativas.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

CASTELO DE AMIEIRA NÃO PODE ESTAR FECHADO

O MUNDO AO CONTRÁRIO
No «Correio da Manhã» de terça-feira passada uma pequena notícia que retrata o estado a que chegou a defesa do património: um castelo, erguido pelo pai de D. Nuno Álvares Pereira, está encerrado há cerca de dois anos por falta de condições de segurança. O castelo de Amieira do Tejo, concelho de Nisa, foi erguido no século XIV e fazia parte da Linha do Tejo, uma linha de defesa da fronteira. Em declarações ao jornal o responsável pela Direcção Regional da Cultura do Alentejo reconheceu não dispor de verbas para as obras. Para que servem existir organismos e funcionários se depois não têm dinheiro para concretizar o objectivo da sua existência?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

CASTELO DOS HOSPITALÁRIOS

Réquiem por um monumento abandonado?
Há dois anos que as portas do castelo de Amieira do Tejo estão fechadas. Há dois anos que no Jornal de Nisa temos alertado para o assunto e sem obtermos qualquer resposta ou esclarecimento das autarquias locais (Junta e Câmara Municipal)
Quem chegava à aldeia, outrora famosa e cheia de bulício, para visitar o castelo, um monumento nacional assinalado nos roteiros da região e nos sites oficiais, dirigia-se ao edifício militar e... batia (bate) com o nariz na porta. Explicações, oficiais ou oficiosas, népias.
A situação que na altura, como agora, considerámos vergonhosa não só para o país como para as entidades concelhias, levou-nos a contactar o IPPAR e através deste a Direcção Regional de Cultura no Alentejo. As mensagens, num e noutro sentido, foram publicadas numa das edições do Jornal de Nisa, há meses.
A situação de abandono e de falta de esclarecimento aos visitantes, pouco ou nada se alterou. A Junta de Freguesia fechou-se num mutismo aterrador. Não considerou pertinente e importante tomar uma posição, esclarecer, aclarar a situação no jornal.
Uma atitude de que não viria mal ao mundo se, depois do “alarido” e da vergonha em que o caso se transformou não viesse para as antenas radiofónicas reclamar para a autarquia as “honras” e méritos por decisões sobre o imóvel que a mesma nunca tomou.
O castelo de Amieira do Tejo está fechado por falta de verba. O Estado, o Ministério da Cultura não tem dinheiro para pagar a um funcionário (mesmo a recibos rosa) que abra e mantenha visitável uma parte do monumento. Sem verbas, vazio, devoluto, ficou também o concurso público para as anunciadas obras de remodelação e restauro, poucos anos depois da famigerada intervenção que o imóvel sofreu.
.Fechados e expostos a todas as inclemências (as da natureza e as dos humanos) estão outros sítios e monumentos históricos do país e do Alentejo. As ruínas romanas de S. Cucufate são, apenas, um dos exemplos. São factos, crus e nus, indesmentíveis.
O Estado não tem dinheiro, diz, para manter as maternidades e a prestação de cuidados de saúde aos cidadãos em condições aceitáveis, quanto mais para a Cultura.
Numa situação destas e porque aos poderes de Lisboa ou de Évora, o nome de Amieira do Tejo pouco dirá, seria de todo o interesse que entidades como as autarquias, Junta e Câmara, e a Região de Turismo (ainda existe, ou não?) mostrassem uma outra vontade, diria, mesmo, uma decidida força para resolver o problema e não procurarem o refúgio das teias administrativas (protocolos, cartas, perdas de tempo) para poderem apontar o dedo numa e noutra direcção. É que, como na canção do Paço Bandeira, “quando o mar bate na rocha quem se lixa é o... turista” e, por via indirecta, Amieira do Tejo e o próprio concelho.
Abram o castelo – sem o tomarem de assalto – e deixem-se de tretas!...
Mário Mendes - in "Jornal de Nisa" - nº 249 - 20/2/2008

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Lagar biológico em Amieira?

As reuniões em Amieira têm-se sucedido e parece haver entusiasmo acerca dos apoios previstos com a candidatura ao PRODER para todo o concelho de Nisa.
Assim, numa prévia análise dos lagares existentes no concelho de Nisa, verificou-se que a Cooperativa de Amieira será aquela que dispõe de melhores condições para ali ser instalado, com algumas alterações, o Lagar Biológico para o concelho.
Um investimento que será comparticipado em setenta por cento do seu custo total, empreendimento que só será possível com o apoio da Comunidade Europeia.
Há outros projectos em perspectiva, desde a agricultura à floresta, ao turismo e à restauração, além de outro, bastante interessante e que vai ser implementado pela Junta de Freguesia e que consiste no arranjo de caminhos, pontos de água, limpeza de faixas e pedido de rede eléctrica para as explorações agrícolas situadas perto do núcleo urbano. No projecto está ainda incluído o arranjo do caminho do Rebentão em tuvenant.
Outro assunto que tem preocupado e de que maneira, a população amieirense é a falta de barqueiro. Tivemos a informação de que vai ser apresentada uma candidatura para aquisição de um barco destinado a transportar até doze passageiros, substituindo o que existia e que foi roubado há cerca de um ano.
Falando em biologia, saliente-se que em Amieira existem, actualmente, quatro explorações agrícolas de produção biológica, o que alguns consideram ser a agricultura do futuro.
- Jorge Pires - in "Jornal de Nisa" nº 248

domingo, 10 de fevereiro de 2008

NOTÌCIAS DE AMIEIRA DO TEJO

Terra de olivais, sobreiros e pinhais
Amieira do Tejo, terra de olivais, sobreiros e pinhais. Era assim que até há cerca de 40 anos.
Pastores que dormiam no campo, no seu chôço que eles consideravam o seu palácio. Milhareiros que vigiavam as investidas dos texugos que, naquele tempo, causavam grandes prejuízos aos seareiros e respectivos donos dos terrenos e, ao mesmo tempo, aproveitavam a fresquidão da madrugada para a rega do milho, melancias e feijoais.
Naquela época, pelo Verão e na Primavera sempre havia gente à noite pelo campo, ao contrário de hoje que, nem de dia se vislumbra uma alma penada. Que tristeza!
Desde então e como por encanto, tudo se foi modificando, de tal maneira, que chegámos aos nossos dias sem uma grande parte daquilo que mais nos identificava.
Que saudades eu tenho da minha linda Amieira! Que saudades eu tenho daquelas descamisadas em que nós, na flor da idade, não olhávamos a distâncias para estarmos junto daquelas moças maravilhosas e cantar com elas, até altas horas da madrugada.
Era um tempo em que apesar da pobreza, as pessoas tinham alegria, eram participativas, frontais e solidárias.
Até a indústria do barro que noutros tempos deu cartas, fechou portas, não por falta de encomendas, mas sim porque o seu proprietário adoeceu gravemente, não podendo, por isso, estar à frente do negócio que era uma das referências desta terra, cada vez mais ignorada e mais desabitada.
Pelo meio, aconteciam episódios tristes, provocados pelas graves carências dessa época.
Lembro-me perfeitamente de assistir na minha infância, a espectáculos que naquela época me deixavam bastante irritado, ao ver as servas daquelas senhoras mais abastadas, com o prato na mão atrás dos meninos dos patrões, prometendo-lhes toda a espécie de coisas para conseguirem que eles engolissem uma simples colherzinha de sopa.
E eu ali, cheio de larica, a apreciar aquele espectáculo, pensando para comigo na injustiça deste mundo cruel que teima em seguir os erros do passado.
Tenho bem presente na minha memória, episódios protagonizados por gente egoísta e sem coração, mas também aconteciam factos bastante positivos, entre os quais um, que, enquanto eu viver, não mais esquecerei.
Quando eu era ainda criança, a pobreza em Amieira era quase geral e como eu, havia muitos carentes. Então, um belo dia, fomos almoçar no quintal de um lavrador, creio que essa refeição foi partilhada com a oferta de géneros dos restantes lavradores, à qual assistiram, como é óbvio, as suas digníssimas senhoras, que se deliciavam, incrédulas, a observar o apetite devorador daquelas pobres crianças.
Até que, a certa altura, uma dessas cujo seus menino tanto trabalho davam para engolir a tal colherzinha de sopa, saiu-se com esta frase de espanto: Venham cá ver este menino, tão bem que ele come!
Esse menino, era eu. Pudera! Ao ver tanta comida, tentei comer o mais possível. Só que, o meu debilitado estômago vazio como estava, nem deu tempo que eu acabasse a refeição, que era muito forte (batatas com carne).
Deu-me uma tal dor de barriga, que tive de correr a bom correr para não borrar as calças. Moral da história: como de costume, fiquei na mesma, com o estômago vazio....
- Jorge Pires - in "Jornal de Nisa" nº 248

sábado, 5 de janeiro de 2008

BALANÇO DO ANO DE 2007

RESÍDUOS "PÚBLICOS" EM TERRENO PRIVADO
Em Janeiro, ainda não se tinha apagado os ecos sobre a notícia da deposição de resíduos de cemitério num terreno particular, em Amieira do Tejo. Face ao silêncio da Junta, um dos eleitos na Assembleia de Freguesia, Francisco Trindade, denunciava numa Carta Aberta à População com o título “Quem cala, consente” que a autarquia (Junta) pretendia fazer crer que “não é responsável pelos factos ocorridos” e perguntava: “ será que das aldeias vizinhas vieram aqui depositar os resíduos dos seus cemitérios?”. O autarca avisava para que “não se tente sacudir “ a água do capote” quando se devem assumir responsabilidades”. A terminar a sua Carta Aberta, Francisco Trindade lembra que “em tempo útil alertei para a situação das lixeiras. Espero que as entidades investiguem os factos, com as legais consequências”. Foi há um ano, um dos casos ambientais mais badalados na comunicação social regional. Depois... o silêncio!
Não se sabe se as entidades investigaram, se houve responsabilidades atribuídas ou se, simplesmente, as legais consequências foram mandadas às malvas...
Mário Mendes