sábado, 14 de julho de 2007

TELAS DO CALVÁRIO EM RISCO

As pinturas do Calvário de Amieira
Exmo senhor director do Jornal de Nisa
Venho por este meio enviar-lhe fotocópia da carta que enviei ao Instituto Português de Conservação e Restauro, no dia 6 de Março, não tendo ainda obtido respostas, embora não tenha perdido essa esperança.
Sem dúvida que aquelas duas pinturas (telas) do Calvário de Amieira do Tejo merecem ser restauradas, e como a união faz a força, temos de nos unir, não podemos cruzar os braços, nem calar a nossa voz.
Só falando e divulgando é que poderemos chegar a algum lado e quem sabe, tocar no coração de quem de direito.
Sem mais, agradeço a sua paciente atenção, o meu muito obrigado e um Bem-Haja!
Ana Paula Horta

Carta ao Instituto Português de Conservação e Restauro
Exmos senhores
Venho por este meio dar o meu testemunho e manifestar a minha tristeza em relação a um caso que passo, de seguida, a citar.
Sou filha de uma pacata aldeia do Alto Alentejo, chamada Amieira do Tejo, do concelho de Nisa, distrito de Portalegre.
É uma aldeia tranquila, onde se respira paz, onde ainda se dá os bons dias a toda a gente, pois tudo se sabe e todos se conhecem.
Em Amieira do Tejo, minha terra natal, existe uma igreja chamada Calvário. É linda, fica num ponto alto da aldeia onde é bastante fácil ser contemplada por qualquer um. É de uma verdadeira beleza arquitectónica, embora o seu aspecto interior vá deixando muito a desejar e isto, porquê?
No seu interior existem duas pinturas maravilhosas e, quem sabe, única, que infelizmente estão a desaparecer (apagar) aos poucos com o passar dos anos.
Não sou entendida no assunto, mas pergunto: será que ainda vão a tempo de serem recuperadas e restauradas?
No meu entender, a esta altura penso que ainda há uma luz no fundo do túnel que pode brilhar. Tenho esperança de poder ver aquelas imagens nítidas, de como as via em criança e me deixa tanta saudade. Na altura em que se fazia a procissão do Senhor dos Passos.
Meus senhores, dirijo-me a vós num grito de ajuda, como uma pessoa simples e humilde, sem saber se realmente me estou a dirigir ao sítio certo, embora presuma que sim.
Não sei se através de vós, alguém de direito e entendido no ramo, poderia ir pessoalmente verificar estas imagens e daí saber qual o caminho a dar-lhes: se, recuperá-las, enquanto à há tempo, ou, então, somente deixá-las morrer!
Meus senhores, o povo de Amieira merecia, sem dúvida, que as imagens do seu Calvário fossem recuperadas. Povo humilde e trabalhador que apesar dos fracos estudos e dos poucos conhecimentos que têm, sabem, no fundo, observar e sabem na verdade ver o que é belo, embora a beleza que agora observam nestas pinturas é de uma beleza que se vai apagando pouco a pouco, como um sopro de vento que por ali vai passando, prestes a tornar-se num ciclone, que se não for travado a tempo irá acabar em destruição.
Mas não é só o povo de Amieira que merece a restauração das pinturas do Calvário, mas sim todos nós, ele pertence-nos a todos. Os monumentos fazem parte das nossas vidas, da nossa história e no fundo, contam um pouco da nossa origem e nós não podemos deixar que ela se apague.


Como filha desta terra, Amieira do Tejo, gostaria muito que das próximas vezes que lá fosse e que numa das minhas idas ao Calvário para rezar, os meus olhos pudessem ver que algo já está diferente e que ao olhar para as pessoas que também o visitam, saíssem de lá satisfeitas com o que viam.
Caros senhores, este monumento existe e como tal merece que as suas duas pinturas interiores sejam restauradas, recuperadas e estou certa de que sendo vós uma entidade competente e sempre disponível para ajudar e encontrar solução para este tipo de problema, também irão dar encaminhamento a estas duas pinturas do Calvário de Amieira do Tejo.
Se for possível agradecia que me dessem uma resposta, seja ela qual for. Sem mais agradeço a vossa paciente atenção. Os meus sinceros cumprimentos e um Bem-Haja a todos os que fazem parte dessa entidade. Obrigado.
Ana Paula Horta