quinta-feira, 28 de junho de 2007

POESIA POPULAR DE AMIEIRA DO TEJO

Ronda pelo Concelho *
Não são só as cantarinhas
Que a vila de Nisa tem
Seus bordados feitos com linhas
São um encanto também.

Quem um dia por lá passe
Decerto volta de novo
Suas bilhas com muita classe
São o encanto do povo.

Amieira tem muito azeite
E também muita madeira
Tolosa tem muito leite
Boa gente a Falagueira.

Arez é terra de pão
Que agora está muito caro
P´ra moças é Alpalhão
Prá farra o Monte Claro

Tudo bem em Pé da Serra
Segundo o que por lá vejo
A Velada é boa terra
Muito melhor o seu queijo.

Montalvão tem o salero
Da nossa vizinha Espanha
Vou lá as vezes que quero
E muita gente me acompanha.

Salavessa é um encanto
Terra que eu não conhecia
Tem lá o Ti Zé do Santo
Que é o rei da poesia.

Esquecia -me do Arneiro
Terra que muito precisa
Mas p´ra isso está o dinheiro
Da Câmara de Nisa.
* Jorge Pires

domingo, 17 de junho de 2007

PONTES HISTÓRICAS DO ALENTEJO

Ponte Medieval sobre a Ribeira de Figueiró
Também conhecida por Ponte de Vila Flor, situa-se na freguesia do Espírito Santo / Amieira do Tejo, concelho de Nisa, distrito de Portalegre e encontra-se num caminho rural a cerca de 2,5 quilómetros da Amieira do Tejo, sendo também possível o seu acesso pelo IP2, junto à Barragem do Fratel - classificada como Imóvel de Interesse Público, Dec. n.º 44.075, DG n.º 281 de 5 de Dezembro de 1961.


Possui alguma monumentalidade, sendo constituída por três arcos e tabuleiro horizontal. Notável é a sua implantação numa zona de paisagem agreste, com característica vegetação mediterrânica, destacando-se a articulação da construção com o maciço rochoso em que assentam os pegões.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

OLHARES SOBRE AMIEIRA DO TEJO

TU AÍ VELHINHO!
Tu aí, velhinho, sentado no bando do jardim, sim, tu que estás com ar sereno e ao mesmo tempo cansado e com esse mesmo ar pensativo, de sorriso terno, olhar triste e distante...
Diz-me: em que pensas? Não queres dizer? Não faz mal!
Olho para ti e, no teu olhar, consigo ver as amarguras da vida. Talvez até possa imaginar o que sentes e o que pensas, pois todos pensam o mesmo quando chegam à tua idade. A idade não perdoa!
Tu aí, velhinho, cujo olhar transparece tristeza e saudade, estás agora aí, sentado, a pensar na vida...
Pensas no que foste e no que agora és, no que foi a tua vida e, naquilo em que ela se transformou.
Viste os filhos crescerem, casarem e, por fim partirem...
E agora aí estás tu, velhinho, sentado nesse banco do jardim, sozinho e triste, à espera de veres passar os dias e a pensar no que ficou para trás...
Mas não vale a pena, velhinho! Não fiques triste, a vida é mesmo assim....
Os anos passam por nós, como um sopro de vento e não há nada a fazer!
Lembra-te, que os que hoje são novos, também irão ser velhos e passarão o mesmo que tu. É assim a lei da vida!
Ambos sabemos que já foste novo, mas agora és velho e ser velho é sinal de sabedoria!
Por isso, velhinho, levanta-te daí, não fiques aí sentado à espera do nada, parado, à mercê do destino, vive o que a vida tem para te dar.
Levanta-te pela manhã, vai caminhar e ouvir os pássaros cantar, vai ver as crianças brincar, dá um sorriso a quem por ti passar... e não deixes de contar, a quem te quiser escutar, as histórias da tua vida, pois, só tu, velhinho, tens as melhores histórias para contar!
Bem sei que nem sempre é fácil vivermos a vida desta forma, mas, como não somos nós que a podemos idealizar ou mudar, cada um de nós, tem de vivê-la e aceitá-la, conforme ela se apresenta e sorri para nós, seja com um pequeno ou grande sorriso.
E lembra-te, velhinho, que é bom ser velho. É bom estar sentado num banco do jardim. É bom conversar com amigos do nosso tempo, beber um copo e jogar às cartas.
É bom contar histórias vividas...e, também é bom, chegar à tua idade.
E eu digo-te, velhinho, Deus queira que eu chegue à tua idade e tenha tanto como tu tens para contar e ensinar.
Por isso, velhinho, levanta-te daí, dá-me um sorriso e não fiques triste!
A vida é mesmo assim...
Olha para mim, hoje sou nova, mas, amanhã, serei como tu, talvez uma velhinha sentada num banco do jardim!...
Ana Paula Mendes Horta

sexta-feira, 8 de junho de 2007

CASTELO DE AMIEIRA FECHADO!

"O castelo de Montalvão tem as portas escancaradas ao desprezo e o de Amieira as portas trancadas ao turismo. Até quando!!!??? Nem as termas, que se dizem cura de males e riqueza do concelho, põem termo aos termos como o doente património é tratado!"
José Dinis Murta - "Páginas da nossa história"
- Jornal de Nisa - nº 233 - 6/6/07
A pérola que caiu do céu!
Tens o castelo a teus pés
E o Calvário à cabeceira
Tão bonita que tu és
Nobre vila de Amieira!

Há cerca de oitocentos anos, uma pérola que caiu do céu, iluminou este cantinho situado bem a norte deste Alentejo maravilhoso.
Já diziam os habitantes de S. José das Matas, uma localidade mesmo em frente da nossa, que Amieira estava abençoada, pois não compreendiam o porquê de as oliveiras produzirem mesmo debaixo dos sobreiros.
De facto, não foi por acaso que, noutros tempos, fomos verdadeiramente invadidos por compradores beirões, de algumas das melhores propriedades que hoje, como tudo o que faz parte da nossa pobre agricultura cada vez mais abandonada, e por isso a dependência, que cada dia que passa mais nos aflige.
Mas, um dia, muito antes da “invasão ratinha”, alguém muito importante ligado à nossa história, tinha descoberto esta pérola banhada pelas então límpidas águas do Tejo, esse Tejo que, por ser tão importante, devia e merecia ter uma guarda de honra e, por esse motivo e não só, foi mandado construir aquele fantástico monumento, hoje em dia, um diamante que já não brilha, pelo menos no seu interior, não por ser velho, mas sim, por que os velhos de espírito, preferem investir em tanques de guerra e outras aberrações sem sentido, deixando que aquilo que nos identifica, se vá perdendo e, assim, o interior deste pobre Portugal esteja cada vez mais abandonado.
Sei que não posso, sozinho, endireitar o mundo, mas quando vejo os autocarros cheios de turistas, que muita vida e muita animação ( e também alguns euros) trazem à nossa terra e depois os vejo partir, magoados e com algum sentimento de revolta, também eu sinto cá dentro de mim, aquele sentimento de impotência para pôr as coisas no seu devido lugar.
Sinto saudades daquelas palestras em plena Praça de Armas, que os visitantes tanto apreciavam e que eu me orgulhava de lhes poder ser útil, ao abordar os assuntos não só referentes ao castelo mas, também, tudo o que dizia respeito à nossa terra. Tive, pois, o privilégio de poder testemunhar toda a admiração e todo o encanto que a nossa linda Amieira causava em quem por cá passava. Que feitiço será este?
Agora, apetece-me perguntar, a quem de direito, se é assim que se honra a memória daqueles grandes homens que deram a Amieira tudo o que de extraordinário cá existe, e que ao mesmo tempo, enriqueceram o património arquitectónico deste país, hoje gerido apenas sob o signo do lucro, esquecendo e atraiçoando, figuras ímpares da nossa história.
Jorge Pires

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Rede Europeia Turismo Aldeia premiada

Amieira do Tejo participa no projecto
A Rede Europeia de Turismo de Aldeia, um projecto coordenado pela Região de Turismo de Évora e que envolve 14 aldeias do Alentejo, recebeu o Prémio Ulysses de Inovação, da Organização Mundial do Turismo (OMT).
O prémio, entregue numa cerimónia em Madrid, é o primeiro do género a premiar uma entidade portuguesa, reconhecendo uma iniciativa portuguesa que se alargou a vários países europeus, nomeadamente Itália, Roménia, Polónia e Finlândia. João Andrade Santos, presidente da região de turismo de Évora, disse que o reconhecimento da OMT é particularmente significativo, por reconhecer um projecto "internacional mas coordenado e dirigido por uma organização portuguesa", no caso a Região de Turismo de Évora (RTE). Segundo o responsável da RTE, o reconhecimento do projecto permitirá ampliar o impacto de um projecto, que pela sua inovação assenta em questões importantes, como o envolvimento das comunidades. A ideia da criação de uma Rede Europeia de Turismo de Aldeia nasceu em 1999, na sequência de uma reunião do Projecto Learning Sustainability, que decorreu no Alentejo. Nessa altura analisou-se um projecto que envolvesse turismo, a gestão dos espaços naturais, a qualidade, o cooperativismo e a relação entre as cidades e o meio rural, visando o "prosseguimento de formas de turismo sustentável em regiões europeias marginalizadas, como é o caso do Alentejo em Portugal, de Trentino nos Alpes Italianos e da Lapónia finlandesa". Desse projecto resultaram as bases para a criação da Rede Europeia, tendo sido definidos critérios de selecção de Aldeias e estratégias de intervenção e de marketing, que permitiram a criação de um "produto turístico construído em torno das Aldeias, das suas tradições, património e actividades tradicionais, apoiado numa base de sustentabilidade e integração". No Alentejo, a Rede, coordenada pela Região de Turismo de Évora, criou um conjunto de "Percursos do Turismo do Imaginário", que envolve todas as actividades de animação ligadas aos mitos, lendas, cultos e histórias das regiões e aldeias. A Rede integra já 50 aldeias em toda a Europa e é detentora de uma marca própria - "Genuineland - Europe Unseen". No passado dia 28 de Maio foi já criada em Évora a associação que conduzirá o componente português da rede internacional, "uma estrutura em que participam os próprios empresários que designaram representantes, que emana das bases, que é criada de baixo para cima e que, depois, se federará à escala europeia". Associações idênticas nascerão nos outros países que estão já envolvidos no projecto. Actualmente participam no projecto as aldeias alentejanas de Amieira do Tejo (Nisa); Escoural (Montemor-o-Novo); Evoramonte (Estremoz); Flor da Rosa (Crato); Hortinhas (Alandroal); Pias (Serpa); Porto da Espada (Marvão) e Telheiro (Reguengos de Monsaraz). Integram ainda a rede as aldeias de Santa Susana (Alcácer do Sal); São Cristóvão (Montemor-o-Novo); São Gregório (Borba); Terena (Alandroal); Juromenha (Alandroal) e Alegrete (Portalegre).