quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Arménio Miguéns preside à Misericórdia de Amieira

A Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo, elegeu no passado dia 1 de Dezembro, em Assembleia Geral convocada para o efeito, os corpos gerentes para administrar a instituição durante o triénio de 2008/2010.
Ao acto eleitoral concorreu uma lista, tendo os corpos gerentes ficado constituídos da seguinte forma:
Direcção / Mesa Administrativa
Arménio Pestana Semedo Miguéns, provedor; Luís Fernandes Bernardo, vice-provedor; Fernando Metelo Falcão, tesoureiro; Nelson Luís Assis Lino, secretário; Vítor Manuel Martins Pereia, vogal; Vasco Jorge Semedo da Silva e Joaquim Sena de Almeida, suplentes.
Assembleia Geral
António Manuel Farinha de Sena, presidente; José Manuel da Costa Alves,1º secretário; Jorge Manuel Pires da Rosa; 2º secretário.
Conselho Fiscal
Rui Metelo Marques, presidente; João Sena Paixão e António Eugénio Calado, vogais; Aníbal Neto Marchão e José Pereira Lopes, suplentes.

domingo, 23 de dezembro de 2007

MEMÓRIAS D´ AMIEIRA (IV)

Lar em Amieira: um sonho de muitos anos

Agora que parece irreversível a construção do Lar de Acolhimento, pois já foi lançado concurso público para a adjudicação da obra, importa realçar aqui o papel do Sr. Provedor e seus pares, pois muitos passos têm sido dados para que tal seja uma realidade.
A obra, muito irá contribuir para que os nossos idosos possam passar os últimos dias das suas vidas, rodeados daquele carinho que nunca teriam, vivendo na solidão das suas residências, pois, como todos sabem, a vida actual não permite aos filhos (salvo raras excepções) cuidar dos seus progenitores, como eles, depois de uma vida de trabalho intenso, certamente mereciam.
Todos sabem como a vida está difícil e como é penoso para um filho, encontrar um Lar ao alcance das suas possibilidades para poder acolher condignamente aquele pai, que tudo fez, enquanto podia, para dar ao seu filho, uma vida bem melhor do que a sua, quantas vezes, até, desfazendo-se de alguns bens que possuía, só para que o seu “menino” pudesse terminar o curso preferido, objectivo que, ao fim e ao cabo, fazia daquele pai o homem mais feliz do mundo.
Por aqui se vê como a vida é traiçoeira e ingrata, quando se sabe que, uma mãe carrega durante nove meses o seu filho amado e, quando finalmente o põe no mundo, passa a vida a perguntar a si própria, o que será o futuro daquele ser tão desejado.
Quando esse dia acontece, pai e mãe abraçam-se, abraçam-se e beijam-se, prometendo, juntos, lutar até à morte pelo bem-estar daquela criança.
Segue-se depois um ciclo, lindo, em que a ternura e o amor daquela mãe são postos à prova, quando nas longas noites de Inverno, os progenitores, revezando-se, embalam o lindo fruto do seu amor, com tal desvelo, ao que acriança parece agradecer, deixando de chorar e ao mesmo tempo dando algum descanso ao pai.
A mãe, o coração de mãe, é mais sensível e por muito que se esforce, não consegue fazer a vontade ao seu corpo já fragilizado.
Esta criança, como tantas outras, viveu na sua terra sob a tutela dos pais até ao fim da adolescência. Depois partiram, uns para terminarem os seus cursos, outros para actividades mais modestas, mas todos com o mesmo objectivo: singrar na vida.
Alguns desses jovens que partiram, irão, certamente, voltar, agora que atingiram a idade de reforma e que na sua terra poderão usufruir, finalmente, de uma casa de acolhimento, onde poderão passar o resto das suas vidas, com aqueles amigos que cá deixaram e relembrar os bons tempos que passaram juntos, em animados jogos de sueca e do belho.
A vida é assim! A mocidade passa depressa e quando damos por isso, a velhice chegou. Quando tal acontece, um sorriso e um pouco de carinho são suficientes para nos fazerem sentir felizes.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Balneários do campo de futebol foram vandalizados

Não há palavras para descrever tanta maldade e tanta falta de senso, de alguns jovens que, nas férias, frequentam a nossa terra.
Bem sabemos que há muito tempo o campo de futebol está às moscas, mas ainda assim os balneários não têm que ser estupidamente destruídos, não só porque é um património da nossa terra, como também por serem os jovens aqueles que mais o utilizam, sempre que, de quando em vez, se organiza alguma paródia futebolística..
Para além disso, alguns turistas que nos visitam em grupo é ali que vão tomar o seu duche.
Não sabem estes jovens que para além de estarem a destruir um bem de que eles são os primeiros beneficiários, estão também a “ir ao bolso” do Grupo Desportivo e Cultural da sua terra, a entidade que, por enquanto, é o seu responsável.
Cabe aqui perguntar, se não seria mais útil, se esses mesmos jovens utilizassem as suas forças e o seu “talento”, limpando o campo de futebol.
Depois, quando as coisas acabam, admiram-se de não haver cá nada onde passar os tempos livres...
É tão triste constatar, que aquilo que foi conseguido com tanto sacrifício, seja assim, tão cobardemente vandalizado.

domingo, 9 de dezembro de 2007

TEMPO DE NATAL

NATAL DA MINHA INFÂNCIA...
Quando chega a quadra do Natal, quantas vezes dou comigo de olhos fechados, a pensar no Natal a minha infância.
Fecho os olhos..., porque só fechando os olhos, consigo ver passar no meu pensamento, aquilo que foi o meu Natal.
E que saudades eu tenho...
Tenho saudades do Natal que era passado à lareira, a bebermos uma caneca de café e a comermos filhós que a minha mãe sempre fazia. E eram tão boas...
Ao fechar os olhos, consigo ainda sentir o cheiro do café e dos fritos, que pairava no ar, dando logo o típico ar de Natal.
O meu Natal, até aos 10 anos, em que vivia numa pacata aldeia do Alto Alentejo chamada Amieira do Tejo, era assim:
O nosso Natal era sempre passado em casa, com os meus pais, os meus irmãos e um tio da minha mãe que era solteiro e vivia só, então passava sempre o Natal connosco. Foi uma figura a que nos habituámos a estar sempre presente, como se fosse uma figura do presépio. Eu e os meus irmãos, gostávamos muito deste nosso tio, o “nosso tio Luís”, mais ainda porque ele nos dava sempre uns chocolatinhos e por vezes uma notinha, dizendo à minha mãe: “Toma lá, Maria, para comprares qualquer coisa que eles precisem!”
Que saudades eu tenho do tio Luís. Infelizmente, já cá não está.
Era uma quadra passada com grande tranquilidade. Não havia stress nem centros comerciais, não havia aquela “dor de cabeça” de pensar se aquele ou aquelagostará disto ou daquilo...
Não havia a preocupação de dar, só por que se podia receber. Não havia nada disso. Simplesmente, paz!
As”prendas” que os meus pais davam à família e às pessoas a quem deviam favores do dia a dia, eram umas couves, umas filhós ou uns enchidos e era quando era, não havia obrigações.
Nada mais fazia falta, pois existia o mais importante e que não era necessário comprar: a interajuda para o que fosse preciso e a amizade.
Por volta do meio do mês de Dezembro, saia ao campo, com os meus irmãos e o meu pai para apanhar o pinheiro de Natal, pois nessa altura ainda se podia fazê-lo e havia muitos. Outras vezes, era o meu pai que aparecia com ele em casa.
Também íamos apanhar musgo e o meu pai sabia sempre onde estava o melhor. Era uma alegria. Todos juntos, decorávamos o pinheiro e fazíamos o presépio.
O cheirinho do pinheiro e do musgo era único, nunca mais o senti. Logo aí começava o nosso Natal, até à noite da consoada e ao dia de Natal.
Chegada essa noite, juntávamo-nos à mesa para comer a tradicional couve portuguesa com batas, ovo e bacalhau. Bacalhau que nem sempre havia... mas não fazia mal. O estarmos ali juntos, a viver o “espírito de Natal” já era uma dádiva tão boa que superava qualquer falta que houvesse na mesa.
Terminada a ceia reuníamo-nos à volta a lareira a conversar, a beber café que era feito numa cafeteira à lareira e que tinha um cheirinho e um sabor como não há igual.
Também comíamos filhós, que a nossa mãe fazia com tanto carinho e, só por isso, sabiam tão bem.
A dada altura, eu e os meus irmãos íamos para junto do pinheiro e do presépio contemplá-los e cantar músicas de Natal.
Ansiosos, esperávamos a meia-noite, não para receber prendas, mas para beijar o Menino Jesus e colocá-lo no presépio.
A nossa árvore não tinha presentes por baixo, mas estava carregada de amor e de magia, a magia do Natal: paz, amor, família e Jesus!
Passada a meia-noite, a minha mãe mandava-nos para a cama e dizia-nos para deixarmos os sapatos debaixo do pinheiro, para que de manhã fôssemos ver o que é que o Menino Jesus nos tinha lá deixado.
Não imaginam a nossa felicidade quando chegávamos ao pé dos nossos sapatos e lá tínhamos, enrolados em papel pardo uns chocolatinhos em forma de sino, Pai Natal, pinhas e muitos outros. Singelos chocolatinhos que nos enchiam de felicidade. Com as suas pratas fazíamos separadores para os livros, alisando-as bem e quando as rompíamos ficávamos desesperados.
Era assim o meu Natal, recheado de paz e de amor, de sentimentos puros verdadeiros, não o Natal de bens materiais como se vê hoje.
Ainda me lembro, quando saia à rua, as pessoas me perguntavam: “Então, o que é que foi o teu Menino Jesus? O que é que tiveste no sapatinho?
E, não : o que é que o Pai Natal te deu?, a pergunta de hoje em dia.
Que pena que tudo isto passou, tudo isto se perdeu.
Hoje o meu Natal é bem diferente, envolvida, com outras pessoas, neste mundo de consumismo, de desperdício de tempo e de dinheiro, numa azáfama que muitas vezes só termina na véspera de Natal.
E pergunto-me, muitas vezes: Porquê? Porquê toda esta correria?
O Natal não é isto em que o tornámos. O Natal é momento de paz, altura de reflexão, é a família, é, na verdade, a espera de alguém que ainda pode trazer a paz ao mundo e aos nossos corações. Esse, alguém, é Jesus!
É por causa dele que o Natal existe; é por Ele que o celebramos e tão poucas vezes falamos dele.
Isto sim, isto é que é o Natal para mim e acho deveria ser para toda a gente...
Ainda vamos a tempo de o salvar, de fazermos renascer esta linda quadra que é o Natal e que foi a maior prova de amor que veio ao mundo: Jesus Cristo.
Vamos salvar o Natal? Depende de mim, depende de ti e de todos nós.
Ana Paula Horta

domingo, 18 de novembro de 2007

Castelo de Nun´Álvares, ainda de portas encerradas

Cá estou eu mais uma vez, visto não ser a primeira, para mostrar a minha profunda indignação e tristeza em relação ao castelo de Amieira do Tejo ainda se encontrar encerrado. Pois é...
Soube há dias atrás, através de fonte residente em Amieira de tal facto, que eu já julgava estar resolvido, mas não!
A verdade é que o castelo se encontra de portas fechadas aos visitantes que se dirigem até ele para o visitarem, mas, infelizmente, batem como o nariz na porta.
Quem pergunta e se informa do “porquê” do castelo se encontrar encerrado não é esclarecido, mas tem a sorte de ser encaminhado ao posto de turismo a fim de concretizarem o seu objectivo. Mas, outros tantos ficam-se pelo caminho...
Aos visitantes mais contidos e envergonhados, que se remetem ao silêncio e não se informam apenas resta a desilusão e tempo perdido, simplesmente dão de caras com uma enorme porta fechada.
Ao que parece, a senhora que trabalha no centro de turismo possui a chave do castelo, estando autorizada a abrir as portas do mesmo, não sendo obrigada a fazê-lo, mas, possuidora de enorme boa vontade, amavelmente se disponibiliza a abrir as portas do castelo, a quem o pretende visitar, embora apenas possam entrar até ao pátio, para poderem ver um pouco mais do que vêem do lado de fora.
Mas, se assim é e se assim tem de ser, a entidade responsável devia colocar uma informação na porta do castelo, informando os visitantes aonde se podem dirigir a fim de poderem visitá-lo, tanto mais que há disponibilidade para abrir as portas do monumento.
Chamo a atenção de quem de direito, de que está na altura de nós, cidadãos, sermos informados sobre as razões por que o castelo está encerrado. Temos esse direito e alguém tem o dever de nos informar.
Não deveria ter o castelo, alguém, permanente, para uma melhor recepção e acompanhamento a quem ali se dirige para o visitar, como outrora já teve?
Com o castelo de portas encerradas não se contam histórias, não se aprende, não se divulgam as nossas terras, as nossas gentes. Nada, nem ninguém evolui!...
Despeço-me, confiante de que irá ser tomada a atitude certa e aproveito para deixar um grande bem-haja à senhora que trabalha no centro de turismo, em nome de todos os amieirenses residentes e ausentes. O meu muito Obrigado.
Ana Paula Horta

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

SINOPSE DO FILME SOBRE O BARQUEIRO DE AMIEIRA

A Casa do Barqueiro
Jorge Murteira, Portugal, 2007, 63'
“Paulino é o último barqueiro da Amieira do Tejo. Entre as duas margens do rio é ele quem assegura a ligação. Mas raros são os passageiros e o seu posto de trabalho ser brevemente extinto. Enquanto isso não acontece, Paulino faz da barraca sobre o rio a sua casa improvisada.
Vive ao ar livre e só recolhe quando a chuva, o frio ou o vento apertam. Pede e resmunga uma nova casa em condições. Mas quem o ouve?
No Inverno e no Outono, aguarda sozinho os clientes perto da fogueira sobre o vale do rio, atento à passagem dos comboios que raramente trazem fregueses. Na Primavera e no Verão, fica à mesa de sulipas, solitário, mas sempre disponível para partilhar um copo ou um petisco com um turista ocasional.”

NO FESTIVAL DOCLISBOA 07

Premiado filme sobre barqueiro de Amieira do Tejo
Paulino, barqueiro em Amieira do Tejo, é a personagem central do filme de Jorge Murteira, premiado no Festival Doc Lisboa 2007 com o prémio Sony para a “Melhor primeira obra portuguesa”. O autor, Jorge Murteira, foi contemplado com um prémio pecuniário de 3 mil euros e uma câmara de filmar HD daquela marca.
O filme, intitulado “A Casa do Barqueiro” tem a duração de 63 minutos, tendo sido apresentado ao público e júri do festival no dia 22 de Outubro no Grande Auditório da Culturgest e no dia seguinte no cinema Londres, recolhendo críticas muito favoráveis e que culminaram na obtenção do prémio destacando a primeira obra do autor.
Deixamos o resumo do filme de Jorge Murteira e ao mesmo tempo uma pergunta: nas comemorações, em curso, dos 10 anos da reconstrução do Cine Teatro de Nisa, este filme sobre o concelho não terá direito a ser exibido? Ou, tal como no documentário de Al Gore, trata-se de “Uma verdade inconveniente”? Responda quem melhor o entender...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

FERNANDO COSTA EM DESTAQUE NO FONTE NOVA

Fernando Costa, presidente do GD 4 Caminhos e descendente de amieirenses, está em destaque na edição de 10/11/07 do bi-semanário Fonte Nova. Na entrevista ao jornal norte-alentejano, Fernando Costa fala da sua paixão pela Orientação e dos próximos eventos que se o GD 4 Caminhos está a organizar na região. À guisa de apresentação, deixamos um pequeno registo da entrevista.
"Alentejano, pelas "raízes", alfacinha pelo nascimento e tripeiro pelos muitos anos de vivência na capital do norte, Fernando Jorge Semedo da Costa, é um dos rostos mais visíveis da Orientação em Portugal. Praticante, dirigente, formador e organizador dos maiores eventos nacionais e internacionais, que nesta modalidade se realizam em Portugal, a ele se deve a ideia, concretizada, da 1ª edição do Norte Alentejano O'Meeting, realizada no princípio do ano no concelho de Nisa. Uma prova internacional que trouxe à região mil pessoas, entre atletas, dirigentes, técnicos e familiares, e deu a conhecer um desporto diferente, e que consiste " em encontrar e seguir o melhor itinerário, através de terreno desconhecido, numa luta constante contra o tempo".
O resto, o gosto, a paixão por este desporto e como o próprio nos informa, só se descobre, praticando.
Por isso, não custa nada deixar a mensagem: Faça como o Fernando Costa e aproveite o Norte Alentejano O'Meeting para fazer Orientação. Um desporto de natureza e para a vida.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O TEJO E A POESIA

O Tejo em Amieira
Passei o Tejo à Noitinha
Passei o Tejo à noitinha
e vi o Tejo calado,
trago um barco de papel
p'ró deitar no mar salgado.
Quando o barco se romper
deito no Tejo uma estrela
e a estrela branca lá fica
e nunca mais torno a vê-la..

Dizem os homens e mulheres
que nas águas deste Tejo
barra fora lá seguiram
camponeses do Alentejo
que nesse tempo sentiram
o que era a triste vida
feita de nada de nada
e por demais permitida...

Falam os homens mais velhos
que neste rio -ó desgraça! -
partiu barco e partiu povo
rumo a Timor e Mombaça
passando pelo mar alto
p'ró Bié e Tarrafal,
gente de boa presença
que nunca a ninguém fez mal!

Diziam os homens mais velhos
com espanto e em segredo,
que nas águas do rio Tejo
partiu gente p'ro degredo:
Timor, Bié, Tarrafal,
no tempo do Salazar
as barcas seguiam cheias
a navegar, a navegar,
com homens em cativeiro,
Timor, Bié, Tarrafal,
e regressavam com ferro,
coco, amendoim e sisal...
Passo o Tejo à noitinha
e já ninguém me faz mal!
- Antunes da Silva

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A realidade das festas populares no nosso concelho

Em tempos que já lá vão, avançar com um evento popular em qualquer freguesia do nosso concelho, tornava-se tarefa fácil, tal era o entusiasmo que reinava entre a população, ao sentir-se útil por colaborar nas festas da sua terra.
Eram, na verdade, outros tempos, não só porque havia muitos mais habitantes e por consequência muito mais juventude, mas, também, porque as mentalidades eram diferentes.
Poder-se-ia dizer que a população está envelhecida, o que de facto é verdade, mas isso não explica tudo. Veja-se, por exemplo, o que se passa em centenas de aldeias deste país, onde o bairrismo ainda é o que era e onde o voluntariado enriquece e de que maneira, quem o pratica.
Como poderiam essas aldeias de dimensão tão pequena, organizar aquelas festas de arromba se tivessem que pagar toda a mão-de-obra? E como será no nosso concelho quando as autarquias deixarem de apoiar as comissões de festas?
Voltando às dificuldades, pode-se dizer que Amieira não foge à regra e cada vez mais se sente a falta de quem colabore nas mais variadas tarefas das muitas que fazem parte das festas da nossa terra.
Ainda me recordo dos meus tempos de adolescente, em que nós percorríamos as ribeiras à procura de hera para forrar os paus que faziam parte da estrutura do coreto, do bar e da barraca de chá. Enfim, tudo aquilo para nós era uma alegria tremenda e todos os anos estávamos à espera de Setembro para voltar à ribeira e colher mais hera para o mesmo fim.
Naquele tempo não havia colaboração das autarquias e quase tudo era feito voluntariamente, com muito amor e carinho.
Hoje em dia, já há mais quem critique do que quem ajude e esta postura já começa a ser um mau sinal. É que as autarquias, com os critérios a que estão sujeitas, podem, a curto prazo, ter pouco espaço de manobra para tantas solicitações.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Comissão de Festas apresentou contas

Dois mil e vinte e um euros de saldo final (positivo) é o balanço das contas das festas em honra da Senhora da Sanguinheira, apresentado pela respectiva Comissão de Festas 2007.
No balancete tornado público e assinado por todos os membros da Comissão, é referido que diversos encargos que não integraram o conjunto de despesas, tais como correio, faxes, telefones, camisolas, chapéus e parte significativa das deslocações, num montante avaliado em mais de mil euros foram suportados pela empresa PortugalRur, com gerência de um amieirense.
No capítulo das receitas, os maiores valores obtidos foram a exploração do bar (7.024 euros, nos 5 dias da festa), a publicidade, os dois peditórios efectuados, a realização da tourada e a exploração do bar no Festival Rock.
No que se refere às despesas, o montante maior vai para o capítulo da animação (grupos musicais) e para a iluminação do castelo (instalação e aluguer de gerador e transporte). O total das receitas foi de 15.675,38 € e o das despesas de 13.653,94 €, resultando um saldo positivo de 2.021,44 €.
As festas da Senhora da Sanguinheira de 2007 foram um êxito. Cabe, agora, aos novos festeiros, assegurar que em 2008, tenham igual ou superior brilho.
A nossa terra e as suas gentes bem o merecem.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

As festas de Amieira e a utilização do castelo

Uma questão que se levantou e dividiu opiniões, foi a realização de actividades profanas (como dizia uma iminente personalidade) no interior do castelo.
Ora bem. Como vocês sabem, eu “vivi” ali muitos anos e, portanto, estou à vontade para falar no assunto, precisamente porque havia certas regras que o IPPAR impunha e que tinham que ser escrupulosamente cumpridas, até espetar um prego nas paredes da fortaleza não era bem visto pelas entidades responsáveis e tudo tinha que ser autorizado, como era normal.
A partir do ano 2000, essas restrições deixaram de fazer sentido, pelas razões que todos conhecem. Inclusivamente, aquele jardim que levou tantos anos a tomar a forma que quase todos vós conheciam, foi há cerca de cinco anos quase completamente destruído, não se importando os responsáveis com o sentimentalismo das pessoas que tudo fizeram para que a entrada daquele monumento fosse uma das mais bonitas de Portugal.
Nunca me passou pela cabeça que um dia naquele espaço florido e cheio de verdura que na Primavera exalava um cheirinho tão agradável, pudesse funcionar um bar.
No entanto, como aquele monumento está tão doente e não serve para mais nada, que tal fazer como se faz presentemente em alguns dos nossos hospitais onde grupos de voluntários fazem animação para as crianças?
Resta-me agradecer, aqui, a importante colaboração e apoio da Câmara Municipal de Nisa, da Junta de Freguesia de Amieira, do povo em geral e, por fim, ao casal Sousa Casimiro – Audiovisuais e muito especialmente ao Inatel que nos enviou aquele excelente agrupamento que dá pelo nome de “Seara Jovem”, sem qualquer contrapartida.
Jorge Pires

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

AINDA AS FESTAS DA SENHORA DA SANGUINHEIRA

Castelo Nun´Álvares no seu esplendor
Ao chegar a Amieira no dia 7 de Setembro à noite, para mais uma festa em honra de Nossa Senhora da Sanguinheira fui contemplada com uma vista maravilhosa que me deixou perplexa e deslumbrada. Avisto lá ao fundo o castelo e só consigo dizer: - Olhem, o castelo está iluminado, está lindo!
Quis parar e assim o fiz, ao pé do eucalipto grande, esse eucalipto que todos bem conhecem. Fiquei ali largos instantes, a contemplar o castelo pois a vista dali era magnífica. Só conseguia dizer: - Está lindo! Lindo!
Ao longe parecia uma tela suspensa no ar... Que lindo estava o castelo todo iluminado, estava no máximo do seu esplendor.
Quis dirigir-me de imediato ao castelo, para vê-lo de mais perto e qual não foi o meu espanto ao ver que a festa estava a decorrer no seu interior.
Só disse: Meu Deus, que espectáculo!
O castelo tomara vida, e que vida. No meio de tanta alegria, havia gente a cantar e a dançar, crianças a correr e a saltar. Que grande felicidade no rosto de todos os presentes.
Entre copos e petiscos, farturas, algodão doce, pipocas e boa música havia encontros de quem há muito não se via e ali matavam a saudade.
Faziam-se novas amizades e quem sabe... tenham nascido novas paixões dentro dessa beleza medieval que é o castelo Nun´Álvares.
E ali estava eu, impávida e serena a assistir a tudo o que se ia passando em meu redor e a tudo o que a minha vista pudesse alcançar. E que mais posso dizer?
Vi e senti que o castelo estava esplendoroso, e com um enorme orgulho e o coração a transbordar de alegria, pude constatar com os meus próprios olhos que, afinal, esta maravilha que é o castelo não está esquecida.
Ana Paula Nunes Horta

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

AMIEIRA NO CORAÇÃO DE JOAQUIM MARGARIDO

Excelentíssimo Senhor:
Foi com uma pontinha de vaidade que vi uma foto minha (tirada na Barca da Amieira, no passado dia 23 de Fevereiro) ser aproveitada para ilustrar um "pedacinho" do seu blogue. E relativamente ao "autor", sou eu que lhe fico reconhecido pelas palavras, simples mas muito bonitas, que acompanham o texto. Aproveitando a sua sugestão, envio-lhe um pequenino texto informativo que regista a passagem, ontem mesmo, dum grupo de pessoas de Ovar que escolheram precisamente a Amieira do Tejo, para aí realizarem a sua habitual caminhada do primeiro domingo de cada mês.Um bem-haja, pois, e um abraço forte, com o desejo de que continue a manter viva a chama da Terra das Jans e a trazer-nos a cada passo um pouco mais do muito que a Amieira do Tejo tem para oferecer.Despeço-me com amizade.
JOAQUIM MARGARIDO

A vida dá muitas voltas ou, como alguém disse, isto "é uma grande aldeia". A foto que colocámos no post anterior deste blog é - soubemo-lo, agora- da autoria de Joaquim Margarido, o autor de um conjunto de crónicas maravilhosas, feitas por ocasião do Norte Alentejano O Meeting, prova internacional de Orientação que trouxe à nossa região quase um milhar de atletas.
É dele, pois, a magnífica foto do Tejo na Barca d´Amieira, como de muitas outras, igualmente belíssimas que ficaram a ilustrar o Norte Alentejano O Meeting e que, juntamente com as crónicas, iremos reproduzir nos blogs de Amieira do Tejo e de Arez.
Ao Joaquim Margarido, um abraço de reconhecimento pela divulgação que tem feito destas terras bordadas de encanto e tão esquecidas pelos poderes públicos.
Terra de Jans

domingo, 26 de agosto de 2007

PATRIMÓNIO QUE URGE DEFENDER

Castelo de Amieira do Tejo: A maravilha esquecida!
Do alto da Igreja do Calvário, avisto lá ao fundo, na Praça Nun´Álvares, o castelo.
Que lindo que é o castelo da minha terra, o castelo de Amieira do Tejo.
É de uma beleza inconfundível e fica ainda mais belo ao nascer e ao pôr-do-sol.
Ao contemplá-lo, apetece-me dizer que poderia bem ter sido uma das 7 Maravilhas... Mas não foi! E não foi porque está esquecido, está encerrado!
Há algum tempo atrás quando soube por populares que o castelo estava encerrado para obras não dei grande importância ao assunto, pois julguei que quem de direito iria ser breve, iria, certamente, dar os passos que deveriam ser dados e que pusesse mãos à obra, mas... isso não aconteceu e já lá vai um ano, sem que nada fosse feito, simplesmente à espera de nada!
E eu pergunto: Como é isto possível? Fechar as portas de um monumento destes que é o cartão de visita de uma terra, o maior ponto de referência de Amieira do Tejo.
Estou indignada, mais uma vez!
Quero referir aqui que há pouco tempo vi-me no dever de cidadã que ama a sua terra natal, a fazer uma carta ao Instituto Português de Conservação e Restauro sobre o que se está a passar com as duas pinturas interiores do Calvário de Amieira do Tejo, assunto que deve ser do conhecimento de muita gente, e que assim seja, pois quanto mais gente souber, melhor.
Isso, agora, não interessa nada, é outro assunto, de facto. Mas quero dizer que cá estou eu, mais uma vez, para defender aquilo que é nosso e daí fazer chegar a minha voz e, quem sabe, tocar no coração de alguém que como eu, tenha orgulho em Portugal e em ser Português!
Mais uma vez digo: está na hora de descruzar os braços, dar as volta que têm de ser dadas, deixarem-se de tantas burocracias... com um pouco de boa vontade e trabalho penso que nada é difícil, tudo tem uma solução: tem é que ser encontrada!
Tudo dá trabalho, bem sei, mas mais trabalho dará se nada for feito a tempo e horas.
Dizem que não há verbas! Como não há verbas? Para onde vai tanto dinheiro? Nunca sabemos... Quando ele é preciso, nunca aparece!
E que obras tão precisas são essas que levam ao encerramento do castelo? Se bem me lembro, foram feitas obras há 6 anos atrás onde foram gastos 200 mil contos, valor esse que está publicado no jornal de Amieira (nº 167 – Março de 2007).
Basta! Abram as portas do castelo aos visitantes. Dêem-lhe vida. Deixem-nos sonhar e imaginar com as lendas e histórias que ele tem para nos contar.
A quem de direito, me dirijo em meu nome, em nome do povo da Amieira e de tantos outros vos peço: abram as portas do castelo, mostrem que fazem algo pelo que é nosso, dêem-nos orgulho das nossas terras, das nossas gentes e, sobretudo, do nosso país.
Queremos ser falados pela positiva, tanto no nosso lindo Portugal, como lá fora. Mostrem que “O que é Nacional é Bom!”
Não sei a quem me estou a dirigir, mas alguém vai pôr a mão na consciência e vai, com certeza, disponibilizar-se para fazer o que tem de ser feito e eu estou confiante disso e tenho uma grande esperança de que muito em breve as portas do belo castelo de Amieira do Tejo irão abrir-se.
O meu muito obrigado!
Ana Paula MN da Conceição Horta

sábado, 14 de julho de 2007

TELAS DO CALVÁRIO EM RISCO

As pinturas do Calvário de Amieira
Exmo senhor director do Jornal de Nisa
Venho por este meio enviar-lhe fotocópia da carta que enviei ao Instituto Português de Conservação e Restauro, no dia 6 de Março, não tendo ainda obtido respostas, embora não tenha perdido essa esperança.
Sem dúvida que aquelas duas pinturas (telas) do Calvário de Amieira do Tejo merecem ser restauradas, e como a união faz a força, temos de nos unir, não podemos cruzar os braços, nem calar a nossa voz.
Só falando e divulgando é que poderemos chegar a algum lado e quem sabe, tocar no coração de quem de direito.
Sem mais, agradeço a sua paciente atenção, o meu muito obrigado e um Bem-Haja!
Ana Paula Horta

Carta ao Instituto Português de Conservação e Restauro
Exmos senhores
Venho por este meio dar o meu testemunho e manifestar a minha tristeza em relação a um caso que passo, de seguida, a citar.
Sou filha de uma pacata aldeia do Alto Alentejo, chamada Amieira do Tejo, do concelho de Nisa, distrito de Portalegre.
É uma aldeia tranquila, onde se respira paz, onde ainda se dá os bons dias a toda a gente, pois tudo se sabe e todos se conhecem.
Em Amieira do Tejo, minha terra natal, existe uma igreja chamada Calvário. É linda, fica num ponto alto da aldeia onde é bastante fácil ser contemplada por qualquer um. É de uma verdadeira beleza arquitectónica, embora o seu aspecto interior vá deixando muito a desejar e isto, porquê?
No seu interior existem duas pinturas maravilhosas e, quem sabe, única, que infelizmente estão a desaparecer (apagar) aos poucos com o passar dos anos.
Não sou entendida no assunto, mas pergunto: será que ainda vão a tempo de serem recuperadas e restauradas?
No meu entender, a esta altura penso que ainda há uma luz no fundo do túnel que pode brilhar. Tenho esperança de poder ver aquelas imagens nítidas, de como as via em criança e me deixa tanta saudade. Na altura em que se fazia a procissão do Senhor dos Passos.
Meus senhores, dirijo-me a vós num grito de ajuda, como uma pessoa simples e humilde, sem saber se realmente me estou a dirigir ao sítio certo, embora presuma que sim.
Não sei se através de vós, alguém de direito e entendido no ramo, poderia ir pessoalmente verificar estas imagens e daí saber qual o caminho a dar-lhes: se, recuperá-las, enquanto à há tempo, ou, então, somente deixá-las morrer!
Meus senhores, o povo de Amieira merecia, sem dúvida, que as imagens do seu Calvário fossem recuperadas. Povo humilde e trabalhador que apesar dos fracos estudos e dos poucos conhecimentos que têm, sabem, no fundo, observar e sabem na verdade ver o que é belo, embora a beleza que agora observam nestas pinturas é de uma beleza que se vai apagando pouco a pouco, como um sopro de vento que por ali vai passando, prestes a tornar-se num ciclone, que se não for travado a tempo irá acabar em destruição.
Mas não é só o povo de Amieira que merece a restauração das pinturas do Calvário, mas sim todos nós, ele pertence-nos a todos. Os monumentos fazem parte das nossas vidas, da nossa história e no fundo, contam um pouco da nossa origem e nós não podemos deixar que ela se apague.


Como filha desta terra, Amieira do Tejo, gostaria muito que das próximas vezes que lá fosse e que numa das minhas idas ao Calvário para rezar, os meus olhos pudessem ver que algo já está diferente e que ao olhar para as pessoas que também o visitam, saíssem de lá satisfeitas com o que viam.
Caros senhores, este monumento existe e como tal merece que as suas duas pinturas interiores sejam restauradas, recuperadas e estou certa de que sendo vós uma entidade competente e sempre disponível para ajudar e encontrar solução para este tipo de problema, também irão dar encaminhamento a estas duas pinturas do Calvário de Amieira do Tejo.
Se for possível agradecia que me dessem uma resposta, seja ela qual for. Sem mais agradeço a vossa paciente atenção. Os meus sinceros cumprimentos e um Bem-Haja a todos os que fazem parte dessa entidade. Obrigado.
Ana Paula Horta




domingo, 17 de junho de 2007

PONTES HISTÓRICAS DO ALENTEJO

Ponte Medieval sobre a Ribeira de Figueiró
Também conhecida por Ponte de Vila Flor, situa-se na freguesia do Espírito Santo / Amieira do Tejo, concelho de Nisa, distrito de Portalegre e encontra-se num caminho rural a cerca de 2,5 quilómetros da Amieira do Tejo, sendo também possível o seu acesso pelo IP2, junto à Barragem do Fratel - classificada como Imóvel de Interesse Público, Dec. n.º 44.075, DG n.º 281 de 5 de Dezembro de 1961.


Possui alguma monumentalidade, sendo constituída por três arcos e tabuleiro horizontal. Notável é a sua implantação numa zona de paisagem agreste, com característica vegetação mediterrânica, destacando-se a articulação da construção com o maciço rochoso em que assentam os pegões.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

CASTELO DE AMIEIRA FECHADO!

"O castelo de Montalvão tem as portas escancaradas ao desprezo e o de Amieira as portas trancadas ao turismo. Até quando!!!??? Nem as termas, que se dizem cura de males e riqueza do concelho, põem termo aos termos como o doente património é tratado!"
José Dinis Murta - "Páginas da nossa história"
- Jornal de Nisa - nº 233 - 6/6/07
A pérola que caiu do céu!
Tens o castelo a teus pés
E o Calvário à cabeceira
Tão bonita que tu és
Nobre vila de Amieira!

Há cerca de oitocentos anos, uma pérola que caiu do céu, iluminou este cantinho situado bem a norte deste Alentejo maravilhoso.
Já diziam os habitantes de S. José das Matas, uma localidade mesmo em frente da nossa, que Amieira estava abençoada, pois não compreendiam o porquê de as oliveiras produzirem mesmo debaixo dos sobreiros.
De facto, não foi por acaso que, noutros tempos, fomos verdadeiramente invadidos por compradores beirões, de algumas das melhores propriedades que hoje, como tudo o que faz parte da nossa pobre agricultura cada vez mais abandonada, e por isso a dependência, que cada dia que passa mais nos aflige.
Mas, um dia, muito antes da “invasão ratinha”, alguém muito importante ligado à nossa história, tinha descoberto esta pérola banhada pelas então límpidas águas do Tejo, esse Tejo que, por ser tão importante, devia e merecia ter uma guarda de honra e, por esse motivo e não só, foi mandado construir aquele fantástico monumento, hoje em dia, um diamante que já não brilha, pelo menos no seu interior, não por ser velho, mas sim, por que os velhos de espírito, preferem investir em tanques de guerra e outras aberrações sem sentido, deixando que aquilo que nos identifica, se vá perdendo e, assim, o interior deste pobre Portugal esteja cada vez mais abandonado.
Sei que não posso, sozinho, endireitar o mundo, mas quando vejo os autocarros cheios de turistas, que muita vida e muita animação ( e também alguns euros) trazem à nossa terra e depois os vejo partir, magoados e com algum sentimento de revolta, também eu sinto cá dentro de mim, aquele sentimento de impotência para pôr as coisas no seu devido lugar.
Sinto saudades daquelas palestras em plena Praça de Armas, que os visitantes tanto apreciavam e que eu me orgulhava de lhes poder ser útil, ao abordar os assuntos não só referentes ao castelo mas, também, tudo o que dizia respeito à nossa terra. Tive, pois, o privilégio de poder testemunhar toda a admiração e todo o encanto que a nossa linda Amieira causava em quem por cá passava. Que feitiço será este?
Agora, apetece-me perguntar, a quem de direito, se é assim que se honra a memória daqueles grandes homens que deram a Amieira tudo o que de extraordinário cá existe, e que ao mesmo tempo, enriqueceram o património arquitectónico deste país, hoje gerido apenas sob o signo do lucro, esquecendo e atraiçoando, figuras ímpares da nossa história.
Jorge Pires

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Rede Europeia Turismo Aldeia premiada

Amieira do Tejo participa no projecto
A Rede Europeia de Turismo de Aldeia, um projecto coordenado pela Região de Turismo de Évora e que envolve 14 aldeias do Alentejo, recebeu o Prémio Ulysses de Inovação, da Organização Mundial do Turismo (OMT).
O prémio, entregue numa cerimónia em Madrid, é o primeiro do género a premiar uma entidade portuguesa, reconhecendo uma iniciativa portuguesa que se alargou a vários países europeus, nomeadamente Itália, Roménia, Polónia e Finlândia. João Andrade Santos, presidente da região de turismo de Évora, disse que o reconhecimento da OMT é particularmente significativo, por reconhecer um projecto "internacional mas coordenado e dirigido por uma organização portuguesa", no caso a Região de Turismo de Évora (RTE). Segundo o responsável da RTE, o reconhecimento do projecto permitirá ampliar o impacto de um projecto, que pela sua inovação assenta em questões importantes, como o envolvimento das comunidades. A ideia da criação de uma Rede Europeia de Turismo de Aldeia nasceu em 1999, na sequência de uma reunião do Projecto Learning Sustainability, que decorreu no Alentejo. Nessa altura analisou-se um projecto que envolvesse turismo, a gestão dos espaços naturais, a qualidade, o cooperativismo e a relação entre as cidades e o meio rural, visando o "prosseguimento de formas de turismo sustentável em regiões europeias marginalizadas, como é o caso do Alentejo em Portugal, de Trentino nos Alpes Italianos e da Lapónia finlandesa". Desse projecto resultaram as bases para a criação da Rede Europeia, tendo sido definidos critérios de selecção de Aldeias e estratégias de intervenção e de marketing, que permitiram a criação de um "produto turístico construído em torno das Aldeias, das suas tradições, património e actividades tradicionais, apoiado numa base de sustentabilidade e integração". No Alentejo, a Rede, coordenada pela Região de Turismo de Évora, criou um conjunto de "Percursos do Turismo do Imaginário", que envolve todas as actividades de animação ligadas aos mitos, lendas, cultos e histórias das regiões e aldeias. A Rede integra já 50 aldeias em toda a Europa e é detentora de uma marca própria - "Genuineland - Europe Unseen". No passado dia 28 de Maio foi já criada em Évora a associação que conduzirá o componente português da rede internacional, "uma estrutura em que participam os próprios empresários que designaram representantes, que emana das bases, que é criada de baixo para cima e que, depois, se federará à escala europeia". Associações idênticas nascerão nos outros países que estão já envolvidos no projecto. Actualmente participam no projecto as aldeias alentejanas de Amieira do Tejo (Nisa); Escoural (Montemor-o-Novo); Evoramonte (Estremoz); Flor da Rosa (Crato); Hortinhas (Alandroal); Pias (Serpa); Porto da Espada (Marvão) e Telheiro (Reguengos de Monsaraz). Integram ainda a rede as aldeias de Santa Susana (Alcácer do Sal); São Cristóvão (Montemor-o-Novo); São Gregório (Borba); Terena (Alandroal); Juromenha (Alandroal) e Alegrete (Portalegre).