Antropóloga francesa Virginie Laffon expõe 60 fotografias em Moura
Virginie
Laffon chegou ao Alentejo ainda jovem, num período em que a região atravessava
transformações sociais e económicas profundas. A sua formação em antropologia
levou-a a estudar práticas comunitárias, modos de vida rurais e formas de
sociabilidade que caracterizam o Baixo Alentejo. Ao longo dos anos, a
investigadora regressou repetidamente à Amareleja, criando laços duradouros com
habitantes, famílias e instituições locais. A exposição agora apresentada é,
por isso, mais do que um conjunto de fotografias: é um testemunho íntimo de uma
relação construída entre a observação científica e o afeto.
As imagens
revelam um Alentejo visto por alguém que, sendo estrangeira, encontrou ali uma
segunda casa. Há retratos de rostos marcados pelo tempo, cenas de trabalho
agrícola, festas populares, rituais comunitários, paisagens de planura e
silêncio, e pequenos detalhes do quotidiano que, pela lente da autora, ganham
uma dimensão poética. A câmara de Virginie Laffon acompanha mudanças
geracionais, transformações na economia local, a evolução da vila e a
persistência de tradições que resistem ao passar das décadas.
A escolha da
Galeria do Espírito Santo para acolher esta mostra reforça o diálogo entre
memória, identidade e território. O espaço, situado no centro histórico de
Moura, tem vindo a afirmar-se como um polo de dinamização cultural, recebendo
exposições que cruzam artes visuais, património e reflexão contemporânea. A
presença de uma autora francesa com uma ligação tão profunda ao concelho
sublinha também a dimensão internacional que Moura tem procurado integrar na
sua programação cultural.
Para a
Câmara Municipal de Moura, que organiza a exposição, este projeto representa
uma oportunidade de valorizar a relação entre a comunidade local e quem, vindo
de fora, escolheu o Alentejo como lugar de estudo, de vida e de pertença. O
“diário” de Virginie Laffon é, assim, simultaneamente um registo documental e
uma declaração de amor a uma terra que a acolheu e que ela aprendeu a
compreender através da fotografia e da antropologia.
A exposição
“Diário de uma estrangeira numa terra que também foi sua” poderá ser visitada
gratuitamente até 30 de setembro, oferecendo ao público uma viagem sensível
pela história recente de Amareleja e pelo olhar de uma autora que transformou a
observação científica numa forma de criação artística.
LusoJornal -
22 Agosto, 2026
