sexta-feira, 19 de março de 2010

A PROPÓSITO DO DIA DO PAI

Carta aos meus queridos pais....
Como é bom poder dizer que tenho pais. De poder chamar-vos queridos pais. Se antes não vos dizia, agora tenho vontade de dizê-lo. O que antes não me dizia nada, agora, diz-me tudo.
Tarde de mais... é o que penso, é o que sinto, e como este sentimento me deixa tão triste... me faz sentir mal! Mas acreditem queridos pais, que não foi, nem era por mal, a culpa foi sempre da distância, é que antes estavam perto, mas agora... agora estão tão longe...! E como sempre, só damos o verdadeiro valor, e sentimos a falta de quem gostamos quando as perdemos ou quando estão longe de nós, longe da nossa vista, mas nunca do nosso coração! Preciso de dizer-vos que sinto a vossa falta, tenho saudades vossas, e amo-vos tanto!
Se antes não vos dizia, embora o sentisse, agora quero dizê-lo, que vos amo tanto, tanto, mas tanto!
Queridos pais, se antes havia coisas que não vos fazia, nem dizia, era porque estavam aqui mesmo ao lado, afinal a distância era tão curta... e no fundo nunca nos passa pela cabeça, ou não queremos pensar, que o que gostamos e nos faz sentir bem um dia tem e pode chegar ao fim, pois nada, nem mesmo o tempo é eterno e foi o que aconteceu... esse dia chegou, tinha de chegar!
A casa que habitaram estes últimos 14 anos de 1987 a 2008 em que estiveram por Lisboa, não era a vossa, era a vossa, era-vos apenas emprestada, a vossa sim, estava à espera, à espera de quem lhe pertencia, e esse alguém são vocês queridos pais, por isso, aproveitem-no bem, essa é que é a vossa casa, é aí que têm de ser felizes, na linda e tranquila Amieira.
Queridos pais, o meu coração chora, chora de saudades de tudo o que poderíamos ter feito juntos, e não fizemos... E tudo isto, quando estávamos quase a dois passos. Mas, o que lá vai, lá vai... Há que seguir em frente, e há que enfrentar a vida como ela se apresenta diante de nós, no nosso dia-a-dia...
E uma coisa é certa, sempre fizemos e demos tudo o que podia-mos, e quando assim é, já é de louvar, pois não devemos fazer o que não se pode, mas sim, o que se pode e quando se pode! E como tristezas não pagam dividas então não há razão para eu ficar nem andar triste, pois ainda vos tenho, e não pode haver maior alegria, que é poder olhar-vos nos olhos, dizer-vos que vos amo e chamar-vos de meus queridos pais!
P.S.: Esta carta é para os meus pais: Manuel Nunes da Conceição e Maria Antónia Estrada Mendes da Conceição, os quais eu amo muito. Quero que saibam que as boas recordações nunca morrem, ficam para sempre guardadas no pensamento e no coração terão de ser recordadas com um sorriso nos lábios, uma pontinha de saudade, e até se for preciso... com lágrimas de felicidade!
Todas as outras recordações, menos boas, essas... são para simplesmente esquecer! Queridos pais, de uma coisa, podem ter a certeza, tanto vós como eu, e os meus irmãos, jamais esqueceremos os anos passados na Quinta do Palácio Marquês da Fronteira em Lisboa, isso ninguém nos pode tirar, estão bem guardados no nosso coração, foram anos preenchidos de tudo, e de nada... foi simplesmente o dia-a-dia da vida!!!
Mas agora, á que seguir em frente... De uma coisa tenho a certeza, sempre tive boas razões para ir até á nossa linda e tranquila Amieira, mas agora tenho razão ainda maior... vocês!!!
Com amor, da vossa filha:
Ana Paula Mendes Nunes da Conceição Horta
Com esta carta aos meus pais gostaria de transmitir ás pessoas que devemos aproveitar e tirar partido das pessoas que mais amamos enquanto as temos ao nosso lado, para que um dia mais tarde... não reste apenas um vazio!