domingo, 4 de maio de 2008

Casa Paroquial ameaça derrocada

O último padre que habitou a Casa Paroquial foi, curiosamente, o padre Zé Serrano, com a sua simpática irmã Maria do Céu, duas pessoas maravilhosas que Amieira jamais esquecerá.
Agora, quando olharmos para aquela casa, à nossa memória virá imediatamente aquela figura simples, despida de preconceitos e que não sabia pronunciar a palavra não!
Mas, aquela casa, também está prestes a desaparecer, como o último padre que a habitou.
As marcas da ruína são bem patentes e começa a ser preocupante o seu aspecto de abandono, sem que alguém se preocupe com tal situação. A casa está com sessenta e tal anos de vida, pois eu era ainda um miúdo quando começou a sua construção.
Eu tenho também boas recordações daquela casa, pois quando saí da escola e fui para sacristão e ao mesmo tempo aprender sapateiro, passei lá muitos serões nas noites de Inverno, de volta da braseira coma irmão do padre Serra, a D. Eugénia e a sua criada, D. Maria Amália, à espera que o padre regressasse dos seus afazeres profissionais.
Talvez por isso, eu hoje sinta uma certa saudade daquela casa bonita que eu frequentei na minha adolescência e que hoje está doentes e prestes a morrer, como morreu o padre Zé.
Ele partiu com o seu coração cheio de amor pelos seus paroquianos.
Obrigado, amigo!
Jorge Pires - in "Jornal de Nisa" - nº 253