sábado, 23 de fevereiro de 2008

CASTELO DOS HOSPITALÁRIOS

Réquiem por um monumento abandonado?
Há dois anos que as portas do castelo de Amieira do Tejo estão fechadas. Há dois anos que no Jornal de Nisa temos alertado para o assunto e sem obtermos qualquer resposta ou esclarecimento das autarquias locais (Junta e Câmara Municipal)
Quem chegava à aldeia, outrora famosa e cheia de bulício, para visitar o castelo, um monumento nacional assinalado nos roteiros da região e nos sites oficiais, dirigia-se ao edifício militar e... batia (bate) com o nariz na porta. Explicações, oficiais ou oficiosas, népias.
A situação que na altura, como agora, considerámos vergonhosa não só para o país como para as entidades concelhias, levou-nos a contactar o IPPAR e através deste a Direcção Regional de Cultura no Alentejo. As mensagens, num e noutro sentido, foram publicadas numa das edições do Jornal de Nisa, há meses.
A situação de abandono e de falta de esclarecimento aos visitantes, pouco ou nada se alterou. A Junta de Freguesia fechou-se num mutismo aterrador. Não considerou pertinente e importante tomar uma posição, esclarecer, aclarar a situação no jornal.
Uma atitude de que não viria mal ao mundo se, depois do “alarido” e da vergonha em que o caso se transformou não viesse para as antenas radiofónicas reclamar para a autarquia as “honras” e méritos por decisões sobre o imóvel que a mesma nunca tomou.
O castelo de Amieira do Tejo está fechado por falta de verba. O Estado, o Ministério da Cultura não tem dinheiro para pagar a um funcionário (mesmo a recibos rosa) que abra e mantenha visitável uma parte do monumento. Sem verbas, vazio, devoluto, ficou também o concurso público para as anunciadas obras de remodelação e restauro, poucos anos depois da famigerada intervenção que o imóvel sofreu.
.Fechados e expostos a todas as inclemências (as da natureza e as dos humanos) estão outros sítios e monumentos históricos do país e do Alentejo. As ruínas romanas de S. Cucufate são, apenas, um dos exemplos. São factos, crus e nus, indesmentíveis.
O Estado não tem dinheiro, diz, para manter as maternidades e a prestação de cuidados de saúde aos cidadãos em condições aceitáveis, quanto mais para a Cultura.
Numa situação destas e porque aos poderes de Lisboa ou de Évora, o nome de Amieira do Tejo pouco dirá, seria de todo o interesse que entidades como as autarquias, Junta e Câmara, e a Região de Turismo (ainda existe, ou não?) mostrassem uma outra vontade, diria, mesmo, uma decidida força para resolver o problema e não procurarem o refúgio das teias administrativas (protocolos, cartas, perdas de tempo) para poderem apontar o dedo numa e noutra direcção. É que, como na canção do Paço Bandeira, “quando o mar bate na rocha quem se lixa é o... turista” e, por via indirecta, Amieira do Tejo e o próprio concelho.
Abram o castelo – sem o tomarem de assalto – e deixem-se de tretas!...
Mário Mendes - in "Jornal de Nisa" - nº 249 - 20/2/2008