domingo, 23 de dezembro de 2007

Lar em Amieira: um sonho de muitos anos

Agora que parece irreversível a construção do Lar de Acolhimento, pois já foi lançado concurso público para a adjudicação da obra, importa realçar aqui o papel do Sr. Provedor e seus pares, pois muitos passos têm sido dados para que tal seja uma realidade.
A obra, muito irá contribuir para que os nossos idosos possam passar os últimos dias das suas vidas, rodeados daquele carinho que nunca teriam, vivendo na solidão das suas residências, pois, como todos sabem, a vida actual não permite aos filhos (salvo raras excepções) cuidar dos seus progenitores, como eles, depois de uma vida de trabalho intenso, certamente mereciam.
Todos sabem como a vida está difícil e como é penoso para um filho, encontrar um Lar ao alcance das suas possibilidades para poder acolher condignamente aquele pai, que tudo fez, enquanto podia, para dar ao seu filho, uma vida bem melhor do que a sua, quantas vezes, até, desfazendo-se de alguns bens que possuía, só para que o seu “menino” pudesse terminar o curso preferido, objectivo que, ao fim e ao cabo, fazia daquele pai o homem mais feliz do mundo.
Por aqui se vê como a vida é traiçoeira e ingrata, quando se sabe que, uma mãe carrega durante nove meses o seu filho amado e, quando finalmente o põe no mundo, passa a vida a perguntar a si própria, o que será o futuro daquele ser tão desejado.
Quando esse dia acontece, pai e mãe abraçam-se, abraçam-se e beijam-se, prometendo, juntos, lutar até à morte pelo bem-estar daquela criança.
Segue-se depois um ciclo, lindo, em que a ternura e o amor daquela mãe são postos à prova, quando nas longas noites de Inverno, os progenitores, revezando-se, embalam o lindo fruto do seu amor, com tal desvelo, ao que acriança parece agradecer, deixando de chorar e ao mesmo tempo dando algum descanso ao pai.
A mãe, o coração de mãe, é mais sensível e por muito que se esforce, não consegue fazer a vontade ao seu corpo já fragilizado.
Esta criança, como tantas outras, viveu na sua terra sob a tutela dos pais até ao fim da adolescência. Depois partiram, uns para terminarem os seus cursos, outros para actividades mais modestas, mas todos com o mesmo objectivo: singrar na vida.
Alguns desses jovens que partiram, irão, certamente, voltar, agora que atingiram a idade de reforma e que na sua terra poderão usufruir, finalmente, de uma casa de acolhimento, onde poderão passar o resto das suas vidas, com aqueles amigos que cá deixaram e relembrar os bons tempos que passaram juntos, em animados jogos de sueca e do belho.
A vida é assim! A mocidade passa depressa e quando damos por isso, a velhice chegou. Quando tal acontece, um sorriso e um pouco de carinho são suficientes para nos fazerem sentir felizes.