quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A realidade das festas populares no nosso concelho

Em tempos que já lá vão, avançar com um evento popular em qualquer freguesia do nosso concelho, tornava-se tarefa fácil, tal era o entusiasmo que reinava entre a população, ao sentir-se útil por colaborar nas festas da sua terra.
Eram, na verdade, outros tempos, não só porque havia muitos mais habitantes e por consequência muito mais juventude, mas, também, porque as mentalidades eram diferentes.
Poder-se-ia dizer que a população está envelhecida, o que de facto é verdade, mas isso não explica tudo. Veja-se, por exemplo, o que se passa em centenas de aldeias deste país, onde o bairrismo ainda é o que era e onde o voluntariado enriquece e de que maneira, quem o pratica.
Como poderiam essas aldeias de dimensão tão pequena, organizar aquelas festas de arromba se tivessem que pagar toda a mão-de-obra? E como será no nosso concelho quando as autarquias deixarem de apoiar as comissões de festas?
Voltando às dificuldades, pode-se dizer que Amieira não foge à regra e cada vez mais se sente a falta de quem colabore nas mais variadas tarefas das muitas que fazem parte das festas da nossa terra.
Ainda me recordo dos meus tempos de adolescente, em que nós percorríamos as ribeiras à procura de hera para forrar os paus que faziam parte da estrutura do coreto, do bar e da barraca de chá. Enfim, tudo aquilo para nós era uma alegria tremenda e todos os anos estávamos à espera de Setembro para voltar à ribeira e colher mais hera para o mesmo fim.
Naquele tempo não havia colaboração das autarquias e quase tudo era feito voluntariamente, com muito amor e carinho.
Hoje em dia, já há mais quem critique do que quem ajude e esta postura já começa a ser um mau sinal. É que as autarquias, com os critérios a que estão sujeitas, podem, a curto prazo, ter pouco espaço de manobra para tantas solicitações.