sexta-feira, 8 de junho de 2007

CASTELO DE AMIEIRA FECHADO!

"O castelo de Montalvão tem as portas escancaradas ao desprezo e o de Amieira as portas trancadas ao turismo. Até quando!!!??? Nem as termas, que se dizem cura de males e riqueza do concelho, põem termo aos termos como o doente património é tratado!"
José Dinis Murta - "Páginas da nossa história"
- Jornal de Nisa - nº 233 - 6/6/07
A pérola que caiu do céu!
Tens o castelo a teus pés
E o Calvário à cabeceira
Tão bonita que tu és
Nobre vila de Amieira!

Há cerca de oitocentos anos, uma pérola que caiu do céu, iluminou este cantinho situado bem a norte deste Alentejo maravilhoso.
Já diziam os habitantes de S. José das Matas, uma localidade mesmo em frente da nossa, que Amieira estava abençoada, pois não compreendiam o porquê de as oliveiras produzirem mesmo debaixo dos sobreiros.
De facto, não foi por acaso que, noutros tempos, fomos verdadeiramente invadidos por compradores beirões, de algumas das melhores propriedades que hoje, como tudo o que faz parte da nossa pobre agricultura cada vez mais abandonada, e por isso a dependência, que cada dia que passa mais nos aflige.
Mas, um dia, muito antes da “invasão ratinha”, alguém muito importante ligado à nossa história, tinha descoberto esta pérola banhada pelas então límpidas águas do Tejo, esse Tejo que, por ser tão importante, devia e merecia ter uma guarda de honra e, por esse motivo e não só, foi mandado construir aquele fantástico monumento, hoje em dia, um diamante que já não brilha, pelo menos no seu interior, não por ser velho, mas sim, por que os velhos de espírito, preferem investir em tanques de guerra e outras aberrações sem sentido, deixando que aquilo que nos identifica, se vá perdendo e, assim, o interior deste pobre Portugal esteja cada vez mais abandonado.
Sei que não posso, sozinho, endireitar o mundo, mas quando vejo os autocarros cheios de turistas, que muita vida e muita animação ( e também alguns euros) trazem à nossa terra e depois os vejo partir, magoados e com algum sentimento de revolta, também eu sinto cá dentro de mim, aquele sentimento de impotência para pôr as coisas no seu devido lugar.
Sinto saudades daquelas palestras em plena Praça de Armas, que os visitantes tanto apreciavam e que eu me orgulhava de lhes poder ser útil, ao abordar os assuntos não só referentes ao castelo mas, também, tudo o que dizia respeito à nossa terra. Tive, pois, o privilégio de poder testemunhar toda a admiração e todo o encanto que a nossa linda Amieira causava em quem por cá passava. Que feitiço será este?
Agora, apetece-me perguntar, a quem de direito, se é assim que se honra a memória daqueles grandes homens que deram a Amieira tudo o que de extraordinário cá existe, e que ao mesmo tempo, enriqueceram o património arquitectónico deste país, hoje gerido apenas sob o signo do lucro, esquecendo e atraiçoando, figuras ímpares da nossa história.
Jorge Pires